09 de julho de 2026
Bairros

Número de filhos cai 50% desde 1980

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

A taxa de fecundidade na região de Bauru caiu 50,1% do início da década de 1980 até 2002, segundo pesquisa da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade). Atualmente, a média do número de filhos por mulher é de 1,7 na região, contra a taxa de 3,5 filhos há cerca de 23 anos. A pesquisa tem como base informações do Registro Civil.

A redução do número de filhos por família em Bauru e 41 cidades da região acompanha a tendência do Estado de São Paulo, que teve redução de 45,2% desde 1980, com diminuição da média de 3,4 para 1,9 filhos por mulher. A queda provocou alterações importantes no ritmo de crescimento da população paulista, segundo o Seade. Em 1980, todas as regiões do Estado apresentavam médias do nível de fecundidade acima de três filhos.

Até 2002, com exceção da região de Registro, todas as outras 15 regiões demonstram queda no índice, chegando a dois filhos por mulher. Isto significa números abaixo do nível de reposição, o índice mundial que corresponde ao número médio de filhos que cada mulher deveria ter em sua vida fértil, visando a reposição de sua geração. Hoje, a taxa do nível de reposição é de 2,1 filhos por mulher, segundo a Seade.

Na opinião da médica ginecologista Cristiane Mariano Castilho, coordenadora de ginecologia e obstetrícia da Secretaria Municipal de Saúde, a redução do número de filhos se deve ao programa de planejamento familiar, realizado nas unidades de saúde da cidade.

“Acredito que temos um maior acesso da população a informações de métodos anticoncepcionais. Nos postos, temos distribuição gratuita de camisinha, pílula anticoncepcional, DIU (dispositivo intra-uterino). E além disso, o planejamento, com os médicos conversando e orientando”, diz.

A vereadora Majô Jandreice (PC do B), que é membro da Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores de Bauru, acredita que diversas questões interferem na redução do número de filhos, e entre elas, a situação econômica é uma das mais importantes. “Também há um número maior de mulheres trabalhando, inseridas no mercado de trabalho. Elas também tem acesso à informação e orientação, acesso aos programas de orientação e planejamento familiar na rede de saúde”, afirma a vereadora.

Segundo a pesquisa da Fundação Seade, a maior taxa de fecundidade encontra-se nas mulheres com idade entre 20 e 30 anos, variando entre 125 e 100 nascidos por mil mulheres. O número de filhos diminui após os 30 anos, chegando a menos de 50 nascidos por mil mulheres acima de 35 anos.

Por outro lado, o número de adolescentes entre 15 e 19 anos que têm filhos é de aproximadamente 70 para mil mulheres. Este número é praticamente o mesmo de 1980, indicando que pouco se reduziu na incidência de gravidez na adolescência.

A ginecologista Cristiane afirma que Bauru também faz parte desta realidade, ainda com um grande número de adolescentes enfrentando a gravidez não planejada. “O ideal seria a menina estar morando junto com o companheiro, não necessariamente num casamento de papel passado, mas com a casa deles, numa união estável. Por outro lado, a mulher está, cada vez mais cedo, procurando esse atendimento para planejar sua família, com orientação médica”, diz.

Realidade

A dona de casa Aparecida da Conceição Silva, de 22 anos, é mãe de Vitória, de 2 anos, e tem vontade de ter mais filhos. “Quero ter mais, mas não estou planejando agora. Na minha família, comigo somos sete irmãos. Antigamente, as mães podiam ter mais crianças, tinham condição melhor de cuidar”, diz.

Já a catadora de papelão Cristiane Ferreira de Brito, de 23 anos, não pensa em engravidar de novo. Ela é mãe de David, de 3 anos, Maiara, de 1 ano e 3 meses, e está grávida de oito meses.

“O David foi planejado, com meu ex-marido. Depois veio a Maiara, e agora, aconteceu de vir esse aqui” diz, mostrando a barriga.

“Não tenho condições de ter outro. O trabalho está difícil, o leite está caro, a comida está cara. Todo mundo está controlando mais (a quantidade de filhos) por causa da situação do País. Fazer filho e depois não ter condições para criar não dá certo”, conclui Cristiane.