09 de julho de 2026
Política

Visita inclui balanço da unidade


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Além de anunciar a implantação da unidade de semiliberdade no município, o presidente da Febem também tratou de outras questões, como a criação de um posto da Corregedoria na cidade e a indicação do dirigente regional de Ensino de Bauru, Jair Sanches Vieira, para desenvolver um trabalho pedagógico na instituição. Confira, a seguir, os principais trechos da entrevista concedida ao JC:

Jornal da Cidade - Qual foi o objetivo da visita do senhor a Bauru? Paulo Sérgio de Oliveira e Costa - Foi fazer algo que temos feito desde que assumimos, até por determinação do secretário Chalita (Gabriel Chalita, secretário Estadual de Educação), que é visitar as cidades que têm unidades da Febem e as regiões onde existe demanda para que a gente tenha alguma medida socioeducativa. Não temos a intenção de, em um gesto arbitrário e autoritário, chegar e falar que aqui vai ter uma unidade da Febem. A gente quer discutir isso com a comunidade, mas ao mesmo tempo a gente não quer deixar o discurso ficar morno.

JC - Como funcionaria a unidade de semiliberdade que o senhor pretende implantar em Bauru? Costa - O objetivo da semiliberdade é que o adolescente vá dormir nessa casa. Quando ele retornar da escola ou da atividade profissional, vai ter o acompanhamento dos psicólogos e assistentes sociais, como já existe em outras casas de semiliberdade que temos no Estado. Ela vai servir também para trazer um pouco mais os pais, a família, os responsáveis, restabelecer aqueles laços. Hoje, nós temos muitos jovens internados, mas por quê? Porque não temos uma alternativa ao juiz. A gente quer dar essa alternativa, mas para isso precisamos da compreensão da comunidade. Eu sei que as pessoas vão criticar, ficar em polvorosa, dizer que em Bauru vai ter uma casa ao seu lado com um ex-Febem. Queremos tirar esse rótulo.

JC - Que atividades seriam oferecidas por essa unidade? Costa - A identificação do imóvel parte necessariamente do cumprimento de algumas recomendações dos conselhos municipais, estaduais e até nacional da criança e do adolescente. Na medida do possível, teremos uma quadra poliesportiva, um local para alguma atividade. Embora não tenhamos muros e grades, a gente tem que criar algo semelhante a uma escola, pela forma de acolhimento. Criamos uma diretoria de parcerias onde os empresários vão à Febem e dão cursos profissionalizantes para esses jovens. Chega do só ocupacional. É muito bonito fazer o artesanato e a gente valoriza a arte, mas eu quero mais que isso, quero que o adolescente tenha a certificação de que concluiu um curso de pedreiro ou funileiro, por exemplo. Faço um apelo ao empresariado de Bauru para que dê uma oportunidade a esses jovens.

JC - O senhor também está implantando unidades descentralizadas da Corregedoria. Por quê? Costa - Como nós temos 69 unidades espalhadas pelo Estado inteiro, precisamos ter uma agilidade e rapidez na verificação dos fatos. Para qualquer tumulto ou entrada de tóxicos e objetos em uma unidade, tem que ser instaurada uma sindicância. Temos uma pessoa que vai ficar mais próxima na região para imediatamente atender isso, apurar os fatos e rapidamente dar uma resposta internamente e à sociedade.

JC - A unidade da Febem de Bauru começou a receber os primeiros internos há pouco mais de um ano. Que análise o senhor faz desse período? Costa - O balanço foi positivo, apesar de todos os problemas. A gente nunca pode esquecer que qualquer sistema de privação de liberdade pode ser pintado de ouro que, mesmo assim, o ser humano quer liberdade. É algo que faz parte da natureza dele. Problemas podem acontecer. O importante é que eles diminuam, que a gente tenha consciência deles e procure corrigir os erros, discutindo com os próprios funcionários e a comunidade.

JC - O dirigente regional de Ensino de Bauru, Jair Sanches Vieira, assumirá a supervisão pedagógica da Febem. Como foi feito o convite? Costa - Ele partiu do secretário Gabriel Chalita. Conversamos a respeito disso e ficamos muito entusiasmados, porque o professor Jair fez um trabalho magnífico aqui. São Paulo é o único Estado da Federação que está com uma comissão discutindo o plano pedagógico das unidades. A supervisão e a participação do professor Jair serão fundamentais para que a gente consiga um êxito nesse sentido. Os nossos funcionários têm que ser educadores e ele vai ajudar nesse aspecto.