09 de julho de 2026
Polícia

Roubo e latrocínio lideram na Febem

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 4 min

Os roubos qualificados e latrocínios (roubos seguidos de morte) são os fatores que levam cerca de 58% dos adolescentes infratores de Bauru e região a serem internados na Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem), o que mostra que as infrações cometidas por eles são graves. Os números são próximos da média estadual, que é de 59%.

Os dados específicos sobre latrocínio, porém, são bem diferentes. Enquanto esta é a causa da internação de apenas 3% dos menores no Estado, na região esse número sobe para 14%. A estatística foi divulgada pelo próprio presidente da Febem, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, que chamou a atenção para o problema.

O juiz da Vara da Infância e da Juventude de Bauru, Ubirajara Maintinguer, acredita que isso não significa que o menor infrator de Bauru seja mais violento. “O presidente (da Febem) tinha um número que coloca a cidade em um patamar que não corresponde à realidade, pelo menos na minha opinião”, afirma.

Para ele, é preciso levar em consideração alguns aspectos importantes. “Atribuo essa estatística a alguns atos infracionais pontuais que ocorreram na comarca, envolvendo vários adolescentes, mas em que quem praticou a violência foi um ou outro. Os demais estavam apenas no contexto. Todos foram punidos, pois dividiram tarefas relevantes para a consignação do crime”, declara.

O promotor da Infância e da Juventude de Bauru, Onilandi Santinho Basso, concorda. “Precisamos considerar que os números refletem a quantidade de adolescentes envolvidos em latrocínio. Não significa um para cada adolescente. Nós tivemos um caso em Bauru que envolveu cinco e todos foram internados por esse crime”, revela.

Para ele, fatos como esse influem decisivamente nas estatísticas. “A unidade de internação tem capacidade para 48 menores. Somente esse caso daria mais de 10%, quando, na verdade, eles cometeram apenas um latrocínio. Não temos uma situação diferenciada do resto do Estado. A maioria dos nossos infratores são de média gravidade e apenas alguns de periculosidade maior”, opina.

Região

O comandante da 1ª Companhia da Polícia Militar (PM) de Bauru, capitão Benedito Roberto Meira, não concorda com as estatísticas. “O nosso número de latrocínios é baixíssimo. O que deve estar comprometendo esses números para a região de Bauru são os menores que estão vindo de outras cidades”. diz.

Ele cita exemplos que, na opinião dele, comprovam esse fato. “Tivemos recentemente alguns motins e os menores que promoveram essas desordens eram de fora, de Lins, Avaré, Areiópolis, Botucatu, todos envolvidos com latrocínio. Esses menores que vêm para cá acabam, de uma certa forma, deturpando a estatística para a cidade e a região”, afirma.

Basso tem uma visão parecida. “No início do funcionamento da unidade da Febem vieram adolescentes de fora. Tivemos autores de latrocínio vindos de São Manuel e Avaré, por exemplo”, declara.

Já o delegado Adib Jorge Filho, titular da Delegacia da Infância e da Juventude (Diju), aponta outro motivo como possível causa para os números apresentados pela Febem. “A partir do momento em que os casos são esclarecidos, é que se tira essa estatísticas dos menores. Um dos fatores que levam até essa incidência é o nosso nível de esclarecimento de ocorrências”, opina.

Se as explicações são diferentes, pelo menos em um ponto todos concordam. Para eles, a droga é a principal motivadora da violência entre os menores. “Forma-se um círculo vicioso e ela impulsiona o adolescente a praticar atos infracionais graves, furtos e roubos, para a obtenção de recursos para se abastecer do produto”, afirma Basso.

“Quase todos os adolescentes que sofreram medidas socieducativas tem algum envolvimento com drogas, ou são viciados, ou trabalham para traficantes, ou fazem o tráfico. Somente o infrator eventual é que está fora desse circuito”, declara Maintinguer.

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Ocorrências

Segundo a Delegacia da Infância e da Juventude (Diju) de Bauru, dois latrocínios foram cometidos por menores neste ano no município. Em fevereiro, um adolescente de 17 anos confessou ter sido o autor da morte do lavrador Jorge Francisco Leal, de 63 anos. Um outro menor, com a mesma idade, também participou do crime, que ocorreu no Parque Primavera.

Em abril, seis pessoas, entre elas três adolescentes, se envolveram na morte do comerciante Luís Carlos Gonçalves. Ele foi atingido por tiros quando saía para entregar um lanche. Os ladrões levaram R$ 30,00.

Um outro exemplo da banalização da violência, embora não se trate de um latrocínio, aconteceu na semana passada, na Vila Dutra. Um garoto de 15 anos assassinou o pedreiro Admilson Aparecido Fernandes, de 36 anos, por causa de uma arma que ele havia emprestado à vítima.