10 de julho de 2026
Saúde

Climatério: Homens também passam por isso

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Climatério é o nome que se dá a uma fase da vida humana em que a produção dos hormônios sexuais começa a diminuir. A medicina atribui esse processo ao envelhecimento do aparelho reprodutor. Nas mulheres, isso é marcado pela menopausa. Mas os homens também passam por isso: é o que muitos chamam de andropausa ou “Declínio Hormonal do Homem”.

Na prática, a andropausa significa uma diminuição nos níveis de testosterona - o hormônio masculino. Na maioria dos homens, este declínio passa totalmente despercebido, mas há um percentual deles que apresenta alterações importantes, como irritabilidade, déficit cognitivo, diminuição da libido e até disfunção erétil (impotência sexual).

Estudos indicam que, a partir dos 50 anos, o nível de testosterona diminui cerca de 1% ao ano, o que é considerado fisiologicamente natural. No entanto, alguns homens apresentam um declínio mais acentuado que isso e precisam ser tratados.

Os hormônios são protetores do organismo. Quando seus índices caem além do normal, vários órgãos e sistemas começam a apresentar disfunções. Um dos principais sintomas desta redução hormonal é a diminuição da libido (apetite sexual), geralmente acompanhada de menor rigidez peniana.

O declínio de testosterona causa perda de vitalidade como um todo. Aquele indivíduo que sempre estava disposto a tudo começa a apresentar desânimo, preguiça, dificuldade para uma prática esportiva habitual. Ele reclama de cansaço com mais freqüência, mesmo quando não fez esforços físicos.

Paralelamente, surgem alterações de humor importantes, com aumento da irritabilidade, nervosismo e crises depressivas. O sono sofre alterações, seja por sonolência excessiva ou por insônia. A falta de hormônios também dificulta a concentração e altera as habilidades cognitivas, com prejuízos principalmente ao raciocínio e à memória.

A osteoporose torna-se outra ameaça, pois a redução de testosterona pode resultar em descalcificação óssea. De acordo com o urologista Aguinaldo Nardi, dados norte-americanos indicam que 20% das fraturas osteoporáticas ocorrem em homens.

Estima-se que de cada seis homens com mais de 80 anos, um sofre fratura determinada pela osteoporose e andropausa. As fraturas de bacia, por exemplo, são duas vezes mais freqüentes em homens com declínio hormonal.

O tônus muscular diminui e dá lugar à gordura, com visível aumento de peso. Com o tempo, pode ainda haver rarefação dos pêlos e aumento do volume das glândulas mamárias.

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Termo incorreto

O termo “andropausa” surgiu no final da década de 90, quando um trabalho científico comprovou a existência do distúrbio. Na época, os médicos compararam a redução hormonal masculina à feminina e, usando a menopausa como referência, batizaram-na de andropausa.

Atualmente, porém, muitos urologistas contestam o uso deste termo. “Ele é incorreto tanto sob o ponto de vista biológico como do ponto de vista clínico”, defende Aguinaldo Nardi. “A produção hormonal do homem não cessa, como ocorre com a mulher”, acrescenta Antonio Pádua Leal Galesso. Na mulher, o aparelho reprodutor deixa de funcionar por volta dos 50 anos. Desgastado e envelhecido, ele sofre uma atrofia parcial, deixa de liberar óvulos e de produzir hormônios. Menopausa é o nome que se dá à última menstruação na vida de uma mulher. Ela marca o fim da fertilidade e o início do climatério.

Os médicos observam que, nos homens, o climatério não leva à infertilidade. A capacidade de fertilização tende a diminuir com o envelhecimento. Não só pela redução dos hormônios, mas pelo próprio enfraquecimento dos espermatozóides, que vão perdendo sua mobilidade

Além disso, no homem, não há um marcador explícito e fixo, como a menopausa. Portanto, na opinião dos especialistas, não se pode falar em andropausa.

O que ocorre com os homens, segundo os médicos, é uma redução lenta e progressiva da produção hormonal - um “Declínio Hormonal do Homem”, como vem sendo chamado o distúrbio nos últimos congressos. Mesmo assim, popularmente, ainda se fala em “andropausa”.