09 de julho de 2026
Bairros

Linhas fixas são trocadas por móveis

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 5 min

Inconformados principalmente com o preço da assinatura mensal de uma linha fixa, moradores de diversos bairros periféricos de Bauru desistiram do telefone em casa e optaram por suprir suas necessidades de comunicação apenas com o celular.

Os exemplos têm se multiplicado na cidade. O mototaxista Zaqueu Vieira da Silva, morador do Jardim Tangarás, aderiu à alternativa. Há um ano e meio desistiu do telefone fixo e passou a receber suas chamadas no móvel.

José Silva Oliveira, do Jardim Godoy, perdeu sua linha fixa há seis meses por falta de pagamento e não pretende reativá-la. “Estava muito caro mantê-la. Caríssimo. Estou me virando com o celular”, diz.

A vantagem do celular pré-pago, na opinião dele, é que não é necessário pagar assinatura mensal e os intervalos estipulados pelas operadoras para a recarga dos créditos são grandes.

José, que trabalha com vendas, não recarrega seu celular desde dezembro do ano passado e continua recebendo ligações. “Está muito mais barato usar o celular. Eu posso recarregar R$ 30,00, por exemplo, e ficar alguns meses sem gastar mais nada”, afirma.

O motorista Luiz Roberto Pacheco, morador do Jardim Tangarás, também é usuário do sistema de telefonia móvel. O telefone de sua casa foi desligado há um mês.

“Está muito caro o telefone fixo. A maior parte do que eu pagava era assinatura. O que eu gastava mesmo era muito pouco. Hoje em dia, é preferível o celular. Está bem mais em conta”, avalia.

O motorista declara que seguiu o exemplo de vários vizinhos e está satisfeito com a alternativa. “Não chego a gastar R$ 50,00 por mês”, justifica.

Manutenção

O morador da Pousada da Esperança Natalino David da Silva é mais um adepto do celular. Ele alega que não conseguiu manter o telefone fixo em casa devido às altas contas cobradas.

“Manter o celular e o fixo estava difícil. Optei por cancelar o fixo e ficar com o celular. Eu recarrego em média a cada 90 dias”, expõe.

Natalino destaca que a linha que tinha em sua residência não está fazendo falta. “O celular preenche essa lacuna.”

Anieli Batista de Almeida, auxiliar de enfermagem desempregada, pediu o desligamento da linha telefônica que tinha em casa e agora usa apenas um aparelho de celular pós-pago.

“A conta do fixo sempre vinha cara, com telefones para os quais eu não tinha ligado. Encarece muito e complica”, argumenta.

A moradora do Parque Alto Alegre afirma que optou por um plano em que sabe exatamente quanto vai pagar no final do mês. “Dá para ter um controle maior dos gastos. No caso do fixo, só de assinatura eu pagava uns R$ 30,00 por mês e tudo o que eu fazia com o fixo eu posso fazer com o celular”, defende.

Na opinião de Mathias Muniz, morador do Jardim Carolina, atualmente o telefone móvel tem mais utilidade que o fixo.

“Onde eu estou eu me comunico com outra pessoa. Houve uma redução dos preços dos celulares, enquanto houve aumento do fixo. O celular está ficando mais barato”, calcula.

Mathias também mostra descontentamento com o preço da assinatura cobrado pela Telefonica. “Está totalmente fora do normal. Se um cidadão viaja o mês inteiro, quando ele volta tem que pagar a taxa do mesmo jeito. Isso não é justo. Ele tem que pagar o que ele gasta”, opina.

Outra vantagem apontada por Mathias é a possibilidade de usar o celular pré-pago mesmo sem recarregar mensalmente. “Quando eu tenho condições, eu recarrego. Se eu não recarregar, eu posso continuar recebendo ligações. No telefone fixo, se eu ficar sem pagar, no segundo mês ele é cortado”, reclama.

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Inadimplência

A dificuldade em pagar as contas telefônicas mensalmente provoca grande quantidade de linhas temporariamente desligadas por inadimplência.

No Estado de São Paulo, a inadimplência representa 13,9% da receita operacional líquida da Telefonica. Dados locais não foram fornecidos pela empresa. Entretanto, não é difícil localizar pessoas que ilustram essa situação.

É o caso de Ricardo Augusto, morador da Pousada da Esperança. Ele está desempregado e por esse motivo não conseguiu pagar em dia as contas de telefone.

“Vêm contas muito elevadas e eu não tenho condições de pagar. Metade do que eu pagava era assinatura. Não tenho previsão de quando vou poder pedir a religação”, lamenta.

Nadir Selvati, da Pousada da Esperança, também está desempregada e vive situação semelhante. Seu telefone fixo está desligado desde 1999. Os pagamentos estão atrasados.

“É difícil. A gente consegue um bico aqui e outro ali, mas é para sobreviver. Essas coisas (telefone) tornaram-se supérfluas em casa. Procuramos manter as coisas mais básicas”, explica.

A falta de telefone prejudica o trabalho de Nadir, que é vendedora de produtos de beleza e agora tem dificuldade para falar com suas clientes. “O celular e a linha de telefone fazem uma falta enorme”, afirma.

A vendedora já teve duas linhas de telefone móvel, mas não conseguiu quitar o pagamento do aparelho e devolveu-o para a loja. “Eu queria ter os dois: o celular é para a rua e o telefone (fixo) é para dentro de casa. Ele não serve para trabalhar na rua”, avalia.

Os exemplos não param por aqui. Cirça Aparecida de Souza, moradora da Pousada da Esperança, também teve o telefone cortado. Ela está desempregada e tem cinco filhos para sustentar. “As contas aumentaram muito. Não tenho condições de pagar”, frisa.

O problema se repete com Manoel Cardoso, do Jardim Tangarás. “Chegou uma hora que eu não pude pagar. Então deixei cortar de uma vez e há oito meses está assim”, conta.