Na central de triagem de lixo reciclável do Jardim Redentor, 27 trabalhadores da Associação dos Catadores de Material Reciclável tiram seus sustento do lixo que não é lixo. A Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), que até agora era a responsável pela coleta seletiva na cidade, entrega os materiais aos catadores. A partir daí, eles são os responsáveis pela preparação e a venda dos materiais às empresas.
Fernando Gregório de Oliveira, de 26 anos, trabalha na central de triagem há três anos e meio, e atualmente cursa a segunda série do ensino médio. Ele conta que, depois de descarregados os caminhões e separados os materiais, a produção de cada um é pesada e anotada em uma planilha. “É tudo marcado, quando cada um fez por dia. Depois, levamos os materiais separados para os boxes, depois vão para as prensas para fazer os fardos, e daí para as mãos dos compradores”, detalha.
O secretário do Meio Ambiente, Luiz Pires, explica que são os catadores que negociam, através da associação, com as empresas. O lucro com as vendas é dividido entre todos, de acordo com a produtividade de cada um.
“Eu tiro mais ou menos um salário por mês. Isso é meio de emprego, é a nossa profissão. Consigo meu salário trabalhando”, orgulha-se Oliveira.
Maria Cristina Soares, de 32 anos, mãe de cinco filhos, trabalha na triagem há quatro anos. Ela diz que a quantidade de lixo está diminuindo. “Eu sempre tive aqui como sustentar meus filhos e minha casa. Quando eu comecei, tinha muito mais lixo. Agora está bem fraco, diminuiu muito. Está me dando um baile para sustentar minhas crianças”, reclama, sem perder o bom-humor.
Ela conta que os materiais já são separados pelos catadores da maneira que as fábricas de reciclagem pedem. “Já fica tudo do jeito que o comprador pede. As garrafas ‘pet’ separadas por cor, garrafas de vidro inteiras, cacos, tampinhas de plástico. Fazemos os fardos do jeito que eles pedem”, conta Cristina.
A catadora Maria das Graças Conceição Souza, de 41 anos, mostra-se um pouco mais incomodada com a situação da triagem. “Tem semana que a gente passa dois ou três dias sem quase nada para fazer. Mas eu dou graças a Deus de trabalhar aqui”.
Pires afirma que o ganho dos trabalhadores da central de triagem caiu devido ao aumento do número de catadores de recicláveis nas ruas da cidade. “A crise e o desemprego vêm aumentando e as pessoas não têm outra opção. Acabam indo para a informalidade”, aponta.
A Semma não tem dados de quanto lixo reciclado não é coletado em razão da ação dos catadores. O secretário diz entender a situação destes trabalhadores.
“Eles estão apenas ganhando a vida. Todo dia levam um pouco de dinheiro para casa. Mas na central de triagem, as pessoas também estão ganhando a vida, em condições dignas. Se recolhêssemos mais lixo, com a colaboração da população, poderíamos ter mais centrais, e empregaríamos muito mais pessoas. Os catadores sairiam das ruas para trabalharem juntos”, imagina Pires.
Sem querer se identificar, o proprietário de uma empresa que compra materiais recicláveis para revender conta que nem mesmo os catadores de rua estão conseguindo muito dinheiro com as vendas. “Por exemplo, as latinhas de alumínio. Hoje, paga-se R$ 2,40 pelo quilo, e nós recebemos cerca de 300 quilos por semana. Comparando com o começo do ano, diminuiu 50%”, diz.
Ele também nota que muitas pessoas que não são catadores de recicláveis estão procurando as empresas para vender os materiais. “As pessoas vão guardando em casa para vender. Ou os restaurantes e bares guardam as latinhas e revendem para nós. Eles também estão querendo ganhar algum dinheiro com a reciclagem”, comenta.
Sobre os catadores, Pires tem uma reclamação. “Muitas pessoas pegam os sacos de lixo, levam para um terreno para separar o que interessa, e o resto deixam lá. Ou pior, põem fogo. Isso acaba se tornando um problema ambiental e de saúde pública”, enfatiza. Na central de triagem, todo o material que não é aproveitado é levado para o aterro sanitário.
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