08 de julho de 2026
Regional

Bordado envolve uma cidade inteira

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Ibitinga - Como no bordado, a cidade de Ibitinga (80 quilômetros a Nordeste de Bauru) dá pontos e laçadas nos problemas sociais e econômicos. O segredo é o bordado que envolve os moradores de todas as classes sociais. Aqueles com maior poder aquisitivo são os proprietários das fábricas mais sofisticadas. Os moradores com menor potencial econômico usam as sobras e confeccionam produtos de menor valor, mas todos vivem do bordado.

As crianças e adolescentes não vivem na rua, estão na escola. Em casa, eles representam uma mão de obra preciosa, ajudando os pais no arremate dos bordados e na dobra das peças, sem que isso represente trabalho infantil.

O município exibe um número quase nulo de desempregados, mesmo assim eles sobrevivem de forma digna. Embora não tenham carteira assinada, eles fazem parte do emprego informal que atende aos turistas que chegam nos 300 ônibus mensais, segundo estatística da prefeitura.

São vendedores e água e refrigerantes, almofadas, guardanapos e pequenas peças com bordados inferiores.

Os moradores de baixa renda que vivem das sobras das grandes empresas usam o “descartável” para movimentar um outro mercado.

As sobras das mantas usadas para confecção de edredons são transformadas em almofadas, que são comercializadas em uma feira popular na praça Rui Barbosa, todos os sábados, das 6h às 13h.

A renda obtida com essa comercialização garante ao município a inexistência de favelas e as moradias mais simples são feitas de alvenaria. As bordadeiras garantem ainda o movimento em todo o comércio local. É essa indústria que move a rede hoteleira, os restaurantes e bares etc.

Para se ter uma idéia, o município, com cerca de 48 mil habitantes, possui 2.200 estabelecimentos comerciais, sendo que 1.249 estão diretamente ligados ao bordado.

Causando inveja

Passar 12 meses do ano sem registrar um só homicídio é de fazer inveja para muitos municípios do Brasil. Mas foi isso o que aconteceu em 2002 na cidade de Ibitinga, município que em 92, segundo a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), pertencia ao grupo 4 no índice paulista de responsabilidade social e pulou para o grupo três.

Trocando em miúdos, isso significa que de baixo desenvolvimento econômico e em transição social ele foi para o grupo dos municípios saudáveis e de baixo desenvolvimento econômico em 1997.

Embora a pesquisa não tenha dados atuais, sabe-se que Ibitinga está em franco desenvolvimento. A rede educacional possui atendimento odontológico e assistencial.

Todo o município é coberto por rede de esgoto e água encanada e o número de crianças assistidas pelo Conselho Tutelar não ultrapassa a sete.

Os furtos que em 2001 eram de 606 sofreram uma queda no ano seguinte e totalizaram 562, porém os roubos saltaram de 26 para 39 no mesmo período.