08 de julho de 2026
Geral

PS Central será reinaugurado amanhã

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 4 min

Anunciadas há um ano e quatro meses, a reforma e ampliação do Pronto-Socorro (PS) Municipal Central poderão, enfim, ser usufruidas pela população bauruense. A solenidade de entrega da obra, que consumiu R$ 525 mil – a previsão inicial era de R$ 400 mil -, está marcada para as 10h de amanhã e integra a programação oficial do 107.º aniversário da cidade. O funcionamento para o público começa na quarta-feira.

O prefeito Nilson Costa (PTB) e o secretário municipal de Saúde, Hanna Georges Saab, vão aproveitar a ocasião para lançar oficialmente as obras de recuperação do Pronto- Atendimento Infantil (PAI), setor anexo que durante a remodelação do PS abrigou também os pacientes adultos. O PAI atende aproximadamente 300 crianças por dia.

A ampliação do PS, que mensalmente recebe algo em torno de 15 mil pessoas, aumentou em 35% a área original construída de 801,32 metros quadrados. Esse número significa para os usuários o ganho de uma sala de drenagem, um consultório, enfermaria para pacientes graves com banheiro, sala de espera para 36 pessoas e espaço para pré-triagem.

Para funcionários e operacionalização de serviços, os 320 metros quadrados a mais representam mais conforto e adequação, com salas exclusivas para reuniões e enfermeiros, depósito de material de limpeza interno, acondicionamento externo de roupas sujas, três abrigos de lixo, oficina de manutenção dos equipamentos hospitalares e cinco almoxarifados de armazenagem de bens de consumo.

Já os setores reformados e listados pela assessoria de imprensa da prefeitura indicam que o velho e precário espaço conhecido da população foi totalmente recuperado. Todos os 24 ambientes estariam agora preparados para prestar o adequado atendimento aos usuários.

O estacionamento da unidade também ganhou melhorias e reforço em termos de segurança. Guarita, entradas diferenciadas para funcionários, pedestres e emergências, iluminação reforçada e elevação do muro lateral são as principais.

Instalações indignas

Desde que foi inaugurado, em 1986, o PSM Central nunca havia passado por reformas. A deterioração natural do prédio aliada ao aumento progressivo da demanda – na época, Bauru tinha cerca de 100 mil habitantes a menos do que hoje – tornaram o local alvo constante de justas reclamações.

No final de 2000, um relatório elaborado por uma comissão especial do Conselho Municipal de Saúde ratificou as deficiências que já eram notórias e apontou uma série de outros problemas que sentenciavam a precariedade das instalações.

O levantamento foi realizado em razão de inúmeras denúncias contra a unidade, acentuadas depois que a morte de um estudante universitário disseminou pela cidade questionamentos quanto à qualidade dos serviços prestados e à necessidade urgente de mudanças. Na época, a comissão concluiu que as condições do PS eram “totalmente inadequadas para atendimentos dignos e sem riscos, tanto para pacientes quanto para os profissionais”.

Sem ajuda do Estado, que no final de 2001 negou pedido de verbas para a reforma do local, a Secretaria Municipal de Saúde decidiu lançar mão de recursos próprios, redefinindo prioridades que haviam sido aprovadas pelo Conselho Municipal de Saúde. A melhoria física da unidade estava mais do que na hora de ser executada.

Problema não terminou

O próximo desafio agora será acabar definitivamente com o problema da falta de médicos – especialmente da área de pediatria – e da variável escassez de vagas do Hospital de Base (HB), retaguarda para o encaminhamento dos pacientes mais graves.

Apesar da abertura freqüente de processos seletivos de médicos, o quadro de profissionais não consegue atingir o número desejável. Por conta disso, plantonistas dos PSs descentralizados (Mary Dota, Bela Vista e Ipiranga) acabam desfalcando seus postos para cobrir as lacunas da unidade centro, onde a demanda de pacientes é muito maior.

Quanto ao respaldo nem sempre satisfatório do HB, só mesmo depois que o Hospital Estadual estiver em pleno funcionamento pode-se esperar uma retaguarda regular. Com a transferência de procedimentos para a unidade recentemente inaugurada, o HB deverá transformar-se efetivamente em referência para o atendimento de urgência e emergência.

Outro aspecto que também deveria ser trabalhado diz respeito à cultura habitual dos usuários de procurar no pronto-socorro soluções para casos não urgentes, um problema sempre citado pelos gestores municipais de saúde para justificar queixas de mau atendimento. Corrigir essa distorção, no entanto, não dependeria apenas da conscientização popular, mas de melhorias eficazes nos núcleos de saúde dos bairros.