Maio não foi para a capital paulista o que poderia ser um poético mês das flores... Contrariamente, foi até um mês sombrio porque reteve em suas casas mais de um milhão de trabalhadores, de ambos os sexos e inúmeras atividades, castigados pelo chicote do desemprego. O Rio de Janeiro também foi judiado pela tristeza, competindo com a desoladora “primavera” paulistana, o que também ocorreu com os mineiros das Alterosas, os quais, esquecendo o ouro de suas minas comerciais e industriais, viveram, igualmente, o drama da numerosa falange de desempregados que foram para seus casebres engrossar a legião do inextinguível fome-zero. Para muitos será difícil descobrir novo emprego, porque o conhecimento das oportunidades que possam ser oferecidas pelo mercado de trabalho é condição primordial para a escolha de uma profissão e tal conhecimento nem sempre chega a eles. Por que a existência de tal obstáculo? Porque agora vive o País envolto em uma moderníssima tecnologia, determinante da evolução de todas as ciências, com as quais já vieram algumas e virão novas técnicas, novas especializações e novas oportunidades profissionais. Nota-se que a tecnologia, que inventou a Internet, com a qual surgiram os computadores e seus diletos companheiros, mecanizou outras tantas atividades, que até então exigiam mão de obra física e agora já não exigem, deixando sem função as mãos de milhares de pessoas. Conseqüentemente, para que uma pessoa consiga agora descobrir o emprego de que precisa é necessário que possua capacidades individuais para determinados serviços, e, ao mesmo tempo, tenha mais sorte que a normal, eis que hoje, com as menores opções existentes, o que se confirma com a onda de desemprego que reina em todos os mercados, a escolha das funções tornou-se complexa e o problema não pode mais ser resolvido como se deseja. Logicamente, estão aí, fustigando os desempregados, as normas das quais eles não podem fugir e, em meio a tantos milhões, nem todos possuem os devidos lampejos, o que lhes torna difícil a conquista do primeiro emprego ou daquele de que foi despedido e obriga as pessoas a permanecerem mais tempo em suas casas. É de se atentar também para o fato de que em virtude de sua extensão territorial o País apresenta inúmeras realidades regionais, em razão do que a localização de trabalhos não é supostamente fácil. É a nossa opinião.
O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.