11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Brasil Ferrovias quer a volta de trens noturnos na Novoeste

Da Redação
| Tempo de leitura: 2 min

A Brasil Ferrovias, controladora da Novoeste, pretende agendar para semana que vem uma reunião com a direção da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para discutir a proibição dos comboios noturnos nos 1,6 mil quilômetros que compõem a Ferrovia Novoeste. A empresa quer reverter a situação.

De acordo com o Sindicato dos Ferroviários, desde segunda-feira, nenhum comboio noturno está circulando no trecho interditado pela ANTT, que liga Bauru a Corumbá. Só há permissão para que os trens circulem das 6h da manhã às 18h do mesmo dia.

A medida obriga a interrupção do transporte ao longo do trecho para as entregas de longa distância. A proibição poderá provocar, ainda, o desabastecimento de combustível no trecho entre Bauru, Paulínia (São Paulo) e até o Estado do Mato Grosso.

A notícia foi recebida com surpresa pelo superintendente da Brasil Ferrovias, José Homero Boaretti Elias, que classificou a interdição como uma “situação anormal” para a empresa. De acordo com Elias, a intenção da empresa é fazer com que os trens noturnos voltem a circular. “Vamos tentar encontrar uma alternativa que não prejudique a empresa, os clientes e o abastecimento no Estado de Mato Grosso”, diz.

Segundo denúncia do Sindicato dos Ferroviários, a Brasil Ferrovias foi notificada devido às péssimas condições de segurança e a precariedade da via férrea permanente, como dormentes podres, trilhos desalinhados, falta de drenagem e excesso de vegetação no trajeto.

Elias explica que, embora seja obrigação da ANTT fiscalizar a empresa, o estado de precarização da ferrovia é justificado pelo desequilíbrio financeiro no contrato fechado há dois anos entre a Novoeste e o governo.

“Ela (Novoeste) não se auto-sustenta. A produção que é gerada pelo Estado não consegue manter os seus custos fixos. Sem equilíbrio, não se consegue fazer as manutenções necessárias”, aponta Elias, enfatizando que o contrato está sendo cumprido pela empresa. “O contrato não estabelece regras, dá somente a concessão para circulação”, destaca.

De acordo com o diretor do Sindicato de Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Bauru, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, Roque Ferreira, um comboio de combustível levava 30 tanques com 60 mil litros cada um quando as condições eram favoráveis, o que equivalia a 1,8 milhão de litros transportados por comboio.

Com a interdição, os trens rodam apenas com metade da capacidade, o que pode representar uma perda de 50% em volume de combustível.