07 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

"Fome Zero" - Belo e Problemático


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Durante a campanha eleitoral do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, muito se falou sobre o projeto de erradicação da fome, “Fome Zero”. Passados quase sete meses de governo, nos deparamos apenas com informações contraditórias e com o documento do mesmo. Alguns equívocos, a burocracia e a falta de verba chocam-se com as boas intenções e com a concretização da proposta.

As incoerências começam pelo nome do projeto, visto que, no Brasil, não existe fome – escassez de alimentos em casos de guerra, problemas climáticos, entre outros – mas sim, desnutrição – não acesso aos alimentos por questões financeiras, por exemplo.

Além disso, não foi delimitado o alcance do programa. Uma vez que não foi foi apresentado o quesito de quem irá se beneficiar com o projeto, abrangendo dessa forma desnutridos ou, até mesmo, pessoas que têm renda inferior a seis salários mínimos, por exemplo. O que acaba tornando-se um preconceito, já que não são todos os pobres que são “famintos”.

O programa está dividido em três iniciativas: políticas estruturais, como bolsa escola, renda mínima, geração de emprego e renda entre outros – políticas específicas, cupom alimentação, doações de cestas básicas – política para áreas rurais, bancos de alimentos formados por doações.

Entretanto, a prática, na maioria dos casos, não segue a teoria. O cupom de alimentação, por exemplo, pode ser vendido e o dinheiro empregado para outros fins. No caso das doações, o capital terá que ser muito bem administrado, afinal, no começo do ano a modelo Gisele Bundchen doou um cheque que demorou, aproximadamente, uma semana para entrar na conta do projeto.

Problemas também serão encontrados na execução do programa, visto que o mesmo terá poder nas decisões de seis ministérios em média.A falta de verba é outro empecilho a ser enfrentado. Já que a economia do país encontra-se estagnada e o governo está fazendo cortes em verbas. A concretização do “Fome Zero”, atualmente, depara-se com empecilhos e incoerências. O programa sofre muitas críticas, afinal, o Brasil necessita de uma eficiente política de geração de emprego, de melhoria de vida e dos serviços públicos – saneamento, educação e saúde. Além disso, as políticas sociais do governo anterior, que recebiam o nome de rede de proteção social, poderiam ser aperfeiçoadas, já que essas se mostram eficientes e já estão em andamento. O Brasil já teve experiências frustradas com programas de combate a desnutrição, como o do Betinho. Propostas como tais gastam dinheiro, não acabam com o real problema e afrontam a dignidade humana. Portanto, já está na hora de percebermos que uma bela campanha de marketing não soluciona os problemas sociais do país.

Ana Cristina Trindade Cursino - RG 33.593.942-9