10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Onda de invasões ao erário público


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Esse nosso país está mesmo de pernas para o ar. Durante toda essa semana o que mais se viu foram manifestações contrárias ao sr. Stédile, do MST, pelo simples fato de defender uma reforma agrária imediata, usando métodos que muitos acham pouco convencionais (“não vamos dormir até acabar com eles”). Parece que poucos entenderam, que se não existisse o MST, onde estariam essas imensas massas de miseráveis brasileiros? Com certeza, jogados nas ruas, embaixo de viadutos, morrendo na mendicância, sem que a nossa elite prestasse a mínima atenção. Eles conseguiram transformar-se num imenso e único movimento contra a carestia, com uma rara eficiência (mais do que comprovada), evitando até um vandalismo desordenado no interior do Brasil. Isso “eles” não entendem. Muitos dos miseráveis, que hoje não estão tendo como sobreviver e engrossam as fileiras do MST, pois notam ali um canal sério e organizado de reivindicação. E isso parece assustar.

Assustam alguns, mas esses mesmos não se assustam com os graus de corrupção já entronizados na sociedade brasileira. Hoje, parece ser mais do que comum um sujeito fazer um contrato, sem concorrência pública, num valor elevado, terceirizando isso, repassando um terço do valor, ganhando milhões num só negócio. Para muitos isso não é corrupção, é esperteza, inteligência. Muitos vêm em defesa de procedimentos estranhos, com justificativas das mais variadas, como não se continuar mexendo em certas coisas, em nome de uma tal de governabilidade, deixando tudo como está, para ver como é que fica. Tudo normal. Outro consegue um salário como prefeito, com correção mensal, enquanto deixa o funcionalismo do município à míngua e sem qualquer reajuste. Tudo normal. O vereador que subloca os cargos de seus assessores, que contratam parentes, que fazem indicações para cargos em troca de voto, que só votam com aquilo na mão (ou no bolso). E o político que aceita trabalhar por indicação nessas condições. E aquele que mistura o público com o privado. São muitos os conceitos aceitos, de gente que se valeu de brechas na lei e num único lance enricaram. Esses conceitos estabeleceram a corrupção no Brasil e não são combatidos com a mesma veemência dos métodos utilizados pelo MST, que ao contrário, não lesam a Nação, tentam é agilizar o processo de redistribuição do bolo. Mudamos nós ou mudaram-se os conceitos. Eu já estou mais do que farto de tanta hipocrisia e dos falsos moralistas (esses são os mais perigosos). Não devemos dormir até acabarmos com essa hipocrisia, que tolera o erro de uma casta e se ruboriza com a justa reivindicação dos explorados. Como já dizia o velho ditado: “Ô macaco, olha teu rabo”.

Henrique Perazzi de Aquino - RG 9.710.205-2