09 de julho de 2026
Articulistas

Dependência econômica


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As razões levantadas por George W. Bush e Tony Blair para invadir, ocupar e obter acesso às fontes de riqueza iraquiana eram falsas. Sabe-se hoje que os relatórios que apontavam um grande potencial de destruição nas mãos do antigo regime iraquiano não passavam de relatórios montados.

A necessidade de invadir o Iraque revelou-se política e, sobretudo, econômica. A economia estadunidense vem perdendo o fôlego, muitas de suas empresas estão com dificuldades, o desemprego aumenta e os lucros diminuem. A questão central destes problemas reside na dificuldade de realização dos lucros, pois a capacidade produtiva instalada do país supera em muito a demanda efetiva, gerando uma grande desproporção entre a virtualidade da produção e a realidade do consumo.

A política imperialista surgiu no final do século 19 e consolidou-se no início do século 20 como uma resposta às dificuldades de realização interna dos lucros das grandes corporações que atuavam em regime de monopólio ou oligopólio. A saída encontrada pelos governos dos países industrializados foi fomentar a política colonialista, visando abrir o espaço para a penetração dos produtos manufaturados em regiões distantes.

Estas forneciam as matérias-primas e alimentos e recebiam em contrapartida produtos manufaturados produzidos nos centros econômicos da Europa e América do Norte. Os planos do atual governo estadunidense são mais ambiciosos do que o das políticas imperialistas da primeira metade do século 20. Os EUA já preparam um processo de privatização total da economia iraquiana.

Trata-se de privatizar as esferas públicas, segundo os critérios estabelecidos pelos invasores, e com isso anular qualquer possibilidade de autonomia do povo iraquiano. Visa-se preparar, desta maneira, os pontos estratégicos da economia iraquiana aos interesses da grande burguesia estadunidense, a grande fiadora do mandato fraudado do pequeno George.

Com isso, a dependência econômica iraquiana tende a se aprofundar. A presença militar está transformando o Iraque numa economia de enclave, ou seja: não apenas o centro dinâmico da sua economia será o setor produtivo voltado “para fora”, como toda a renda gerada será apropriada por grupos econômicos estrangeiros, num processo de rapina econômica que sustentará parasitariamente os grandes investidores anglo-americanos por décadas. (O autor, Pedro Fernandes Fassoni Arruda, é advogado e cientista social)