09 de julho de 2026
Cultura

Álbum é sucesso de público e crítica

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 5 min

Depois da comemorada recuperação de Herbert Vianna, tudo o que os fãs dos Paralamas do Sucesso mais queriam saber era quando sairia um novo disco do grupo. “Longo Caminho”, base do show de hoje no Recinto Mello Moraes, veio no final de 2002 e agradou a todos.

Com o disco de platina garantido e vencedor de diversos prêmios (o álbum ainda concorre ao Grammy Latino em duas categorias, em setembro), o 15º álbum do grupo trouxe hits instantâneos como “Cuide Bem do Seu Amor” e “O Calibre” e afastou de uma vez o medo dos fãs de que a banda interrompesse sua trajetória de 20 anos de sucessos.

Em entrevista por e-mail ao JC Cultura esta semana, o baterista dos Paralamas, João Barone, falou sobre o disco e a recuperação de Herbert Vianna. A seguir, os melhores trechos.

Jornal da Cidade - Como vocês avaliam a recepção de “Longo Caminho”? O disco era muito esperado por causa da volta do Herbert, houve alguma surpresa por parte de vocês na recepção pelo público e pela crítica e todos os prêmios para os quais o disco está sendo indicado? João Barone - Estamos contabilizando as maiores realizações que um disco pode ter, no âmbito pessoal da banda mesmo, sem falar os triunfos, ainda mais nesses tempos bicudos da indústria fonográfica, solapada pela pirataria. E ainda estamos no meio da tour do disco novo, que tem 3 músicas super conhecidas e está gerando um monte de shows pelo País à fora... Não podia ser melhor.

JC - As canções estavam prontas antes do acidente com o Herbert? Sempre existem comentários vinculando uma letra ou outra ao acidente. Barone - Foi tudo feito antes dos eventos trágicos. Quase metade do material do disco era absolutamente novo, sendo que escolhemos algumas outras músicas do “baú” do Herbert, que se juntariam bem com o material novo. A maneira de entender as letras vai da cabeça de cada um...

JC - Essa volta do grupo, depois de tudo, mudou em que a dinâmica de trabalho entre os três? Vocês continuam a compor da mesma maneira? Barone - Bem, o Herbert está em pleno processo de recuperação. Os shows e a nossa rotina profissional são o melhor remédio para ele, que se sente ativo e atuante. Nossa agenda está igual a de 3 anos atrás. Ele está exercitando muito a composição com novas idéias e quem sabe em breve teremos material para um novo disco, ainda sem data marcada... Sem pressão e sem pressa, em tempo estaremos com assunto para um novo CD.

JC - Até quando vai a turnê de “Longo Caminho”? Barone - Achamos que até o meio do ano que vem, mas tocar é crucial para nós. É o que nos mantém vivos... Ainda estamos celebrando os 20 anos de estrada dos Paralamas com essa tour.

JC - Como vocês avaliam o resultado sonoro do disco em relação ao anterior? Barone - Muito bom, talvez um dos melhores... Ainda não havíamos gravado um disco em “tempo real” dentro de um estúdio, ali no ato mesmo, cada um olhando para os olhos dos outros. Foi muito emocionante.

JC - O Dado Villa-Lobos tem sido uma presença constante ao lado dos Paralamas nos últimos discos e shows, como é trabalhar com ele? Barone - O Dado era amigo do Herbert e Bi nos tempos de Brasília. Sempre convidamos ele para tocar. Quando ele pode, ele aparece. A amizade foi crescendo e a admiração mútua pelo que as nossas bandas conseguiram é muito grande...

JC - Como está o Herbert no momento em termos de recuperação. Existem possibilidades dele voltar a se locomover sem a cadeira? Barone - Ele está tão bem que o fato de estar numa cadeira de rodas vira um mero detalhe. Como já disse, tocar é o melhor remédio para ele e vamos seguir em frente.

Serviço

Show com Paralamas do Sucesso. Hoje, às 21h, no Recinto Mello Moraes. A Emdurb estará disponibilizando ônibus extras para o Recinto com saída da quadra 6 da avenida Rodrigues Alves, a partir das 17h30.

O projeto

O projeto Pão Music, que traz o show dos Paralamas para Bauru hoje, nasceu em 1993, com o nome de Sampa Show. O nome foi trocado em 1996, mas o objetivo de levar grandes nomes da música brasileira e mundial para o maior número de pessoas possível através de espetáculos ao ar livre e gratuitos continua.

Pelos palcos do Pão Music, em onze anos, já passaram cerca de 150 artistas, entre eles: Caetano Veloso, Roberto Carlos, Julio Iglesias, Marisa Monte, Titãs, Barão Vermelho, Djavan, Gilberto Gil, Leandro e Leonardo e B.B. King. Em 2003, o projeto percorre sete localidades, as seis capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Fortaleza, João Pessoa e Curitiba e Bauru, única cidade do Interior.

Lounge

O show de Bauru também tem uma das inovações do Pão Music deste ano, a área vip, destinada a autoridades, convidados e artistas e que terá uma festa ao final do show. É o Lounge Pão Music, composto por três tendas redondas (duas de 10 metros de diâmetro e uma de 16 metros de diâmetro) com teto transparente para que os convidados continuem a curtir a noite ao som de um DJ após o show. O lounge contará com iluminação e decoração especial, buffet, sofás e pufes para descanso.

Como o projeto Pão Music estará colaborando diretamente para a Campanha Fome Zero, instituída pelo Governo Federal, os convidados da área vip poderão levar 1 quilo de alimento não-perecível para a campanha. O Pão de Açúcar dobrará a quantidade arrecada no show em prol da causa.