09 de julho de 2026
Regional

'Intervenção é ditadura', diz tucano

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Lençóis Paulista - O médico José Rubens Pietraróia, um dos candidatos inscritos para concorrer à indicação do PSDB de Lençóis Paulista (43 quilômetros a Sudeste de Bauru) para prefeito nas eleições do ano que vem, classificou a atitude do diretório estadual do partido de intervir no diretório local como “ditatorial, truculenta e casuística”.

Na terça-feira passada, o presidente do diretório estadual do partido, o deputado estadual Edson Aparecido, anunciou que o PSDB de Lençóis sofrerá intervenção por ter desrespeitado um acordo e por ter agendado a prévia municipal sem autorização da direção tucana, em São Paulo.

Até ontem, o presidente da executiva do PSDB em Lençóis, Marcos Lini, ainda não havia recebido nenhum comunicado oficial sobre a decisão do diretório estadual.

Na opinião de Pietraróia, se a intervenção for realmente colocada em prática, a atitude do partido será “no mínimo incoerente”.

“Como é que isso pode ser encoberto por um partido que carrega em sua sigla a denominação de social democracia?”, questionou. Pietraróia foi vice-prefeito em Lençóis Paulista na Legislatura 1993/96.

“A impressão que fica é que foi uma atitude unilateral e pessoal do Edson Aparecido”, disse ele. Na opinião do médico, a intervenção enfraquecerá o partido em Lençóis.

A partir do momento que a executiva municipal tucana receber a informação oficial sobre a intervenção, Pietraróia disse que se desligará automaticamente do partido.

Ele informou que está em negociação com outros partidos, como o PSB, o PL e o PT. A única certeza, segundo ele, é que disputará a eleição para prefeito em 2004.

“Eu vou provar para algumas pessoas do PSDB a burrada que eles estão fazendo”, provocou.

O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos de Lençóis Paulista, Marcos Antônio Gabriel, também adiantou que sairá do partido se a intervenção for colocada em prática.

Ele também se inscreveu para participar da prévia e disse que vai tentar na Justiça reparar as perdas e danos que teria sofrido com a decisão do diretório estadual.

Novos partidos

Mesmo antes de receber um comunicado oficial do diretório estadual do PSDB sobre a intervenção, o presidente da executiva municipal, Marcos Lini, movimenta-se na tentativa de buscar novos redutos para os filiados que devem deixar o partido.

Ontem, ele esteve em São Paulo tentando viabilizar a criação de dois novos partidos em Lençóis. Segundo apurou o JC, esses partidos seriam o PHS e o PST, para onde iriam boa parte dos filiados dissidentes.

O PL e o PV, já existentes no município, devem ser outros dois partidos beneficiados com a revoada tucana.

De acordo com Luiz Anholeto, membro da executiva municipal, o PSDB tem hoje em Lençóis cerca de 340 filiados.

A reportagem entrou em contato ontem com a assessoria de imprensa do deputado Edson Aparecido, mas até o fechamento dessa edição ele não havia se manifestado sobre as declarações contra a intervenção.

Intervenção

A intervenção, segundo informou anteontem o deputado Edson Aparecido, foi uma decisão unânime da direção estadual do partido. Ele disse na terça-feira passada que o diretório de Lençóis terá cinco dias para apresentar a defesa, a partir do recebimento do comunicado.

Após esse prazo, será nomeada uma comissão interventora a ser presidida pelo prefeito José Antônio Marise.

Segundo o deputado, a decisão foi tomada em razão de uma suposta desobediência do diretório municipal a um acordo feito com a direção estadual do partido.

Aparecido disse que no ato da filiação de Marise foi feito um acordo com a direção local do partido no qual ficou decidido que o prefeito seria o candidato natural à reeleição. Mesmo assim, a executiva marcou prévia para escolha do candidato.

Além de descumprir esse acordo, Aparecido acusou ainda o diretório municipal de ter atropelado a ordem estatutária de convocar a prévia sem autorização do diretório estadual. A escolha, marcada para o último domingo, foi cancelada na última hora.