09 de julho de 2026
Bairros

Moradores pedem melhores acessos

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Obra pitoresca para alguns, realidade amarga para outros. Quem sofre com os acessos improvisados ou provisórios, de estrutura precária, é a população dos bairros de Bauru.

Tudo o que os moradores pedem não é segurança. Eles arriscam-se diariamente em pedaços de madeira sobre córregos, pontes que correm risco de cair e outros acessos de estabilidade duvidosa.

A população da Pousada da Esperança, por exemplo, reclama do acesso ao Núcleo Gasparini, que é feito através de uma pinguela de madeira.

O morador Carlos Alberto Figueiredo diz que, se a situação geralmente é ruim, quando chove fica pior. “Fica mais difícil para o pessoal atravessar. Quando chove, moradores vão com enxada arrumar o local”, lamenta.

Reclamações à Prefeitura de Bauru já fazem parte da rotina da comunidade, de acordo com Carlos. “Temos feito reclamação à prefeitura, mas eles não tomam atitude nenhuma”, diz.

A maior parte das crianças da Pousada da Esperança estuda no Núcleo Gasparini e faz uso da pinguela para chegar à escola. Pessoas que saem à noite para trabalhar têm o mesmo percurso como única alternativa. “Se durante o dia já é difícil passar aqui, imagina à noite”, observa o morador.

Na pinguela da Pousada, que agora ganhou corrimão (antigamente eram só tábuas no piso), moradores passam até de bicicleta e mototáxi. O problema é que de vez em quando algumas tábuas são misteriosamente arrancadas, tornando a passagem ainda mais arriscada.

O morador do Núcleo Gasparini Jonatas Magalhães, 9 anos, é um dos que usa diariamente a pinguela para chegar à Pousada da Esperança. Acostumado desde pequeno, o menino não vê problemas no caminho. É aí que mora o perigo.

Bom Jesus

A ponte de madeira que liga a Vila Bom Jesus ao Jardim Godoy é mais um alvo de críticas. “Bom não está. A ponte que eles fizeram foi provisória mas já está durando muitos e muitos anos. Teria que ter uma de concreto para durar mais tempo”, diz o morador Moacir Vitório.

À noite, o perigo se agrava com a falta de iluminação. Crianças, mulheres, pessoas a pé e de carro, além de caminhões, passam pelo local. “Tem estrutura para passar carro, mas não caminhão. E passam muitos caminhões”, diz Márcio Adriano Moço, que mora ao lado da ponte.

A passagem também é utilizada por crianças que vão à escola, inclusive no período noturno. Algumas já caíram de bicicleta devido a falhas na madeira.

“Essa ponte foi provisória e está sendo provisória para sempre. Quando o prefeito vai ver isso?”, questiona Márcio.

No Parque das Nações, a situação é bastante semelhante. “A ponte está muito perigosa. Aqui passa caminhão de carga. É a única saída que tem dessa vila”, diz o morador Daniel Rodrigues, referindo-se à ponte de madeira que liga o bairro ao Jardim América.

Acidentes já aconteceram. Um carro caiu no córrego por falta de proteção lateral e iluminação precária.

“A ponte está podre. Nós esperávamos que as autoridades de Bauru arrumassem a estrutura e esses pedacinhos de rua. A situação aqui tem sido muito lamentável”, reforça Daniel.

A moradora Gláucia Prado Batista, que mora no Jardim Europa, passa todos os dias pela ponte para levar a filha, no carrinho de bebês, à creche. “Está uma porcaria isso. Daqui a algum tempo cai”, acredita.