08 de julho de 2026
Bairros

Pinguelas, pontes e viadutos

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Em 107 anos de vida, Bauru reuniu uma teia complexa de estruturas que permitem que os moradores de Bauru se desloquem entre os bairros da cidade. São pontes, passarelas, viadutos, bueiros, passagens de nível e pinguelas que ora representam solução para problemas, ora são os problemas.

Se por um lado passarelas e pontes são motivo de orgulho do bauruense, por outro pinguelas precárias e improvisadas e estruturas inacabadas e prestes a cair envergonham a população.

De nomenclaturas difíceis, algumas até chamadas de “obras de arte” (até mesmo engenheiros e arquitetos divergem sobre elas), esses pontos são alvo constante de preocupação da administração municipal. “É um pedaço superpreocupante do nosso serviço. É onde temos que estar mais de olho”, revela Antônio Carlos Duarte, titular da Secretaria Municipal de Obras.

Em época de chuvas, é nos locais de transposição de um bairro a outro ou um lado a outro do córrego que a administração municipal foca atenção para evitar ou constatar qualquer comportamento inesperado de tais estruturas.

“São pontos importantes porque geralmente ligam bairros e estão localizados em avenidas”, afirma Duarte.

Ele explica que quando a situação é dinâmica (períodos de seca e de umidade, grande vazão de água e pouca vazão), avaliação constante é necessária.

Acompanhamento gera manutenção. É o caso da ponte Ayrton Senna, no Núcleo Mary Dota, que foi interditada quando começou a representar risco aos usuários.

“Não podemos deixar a obra entrar em estado de colapso sem estar sabendo. Ela pode até entrar em colapso, mas você tem que interromper antes para não pôr ninguém em risco”, expõe Luiz José Penna, diretor do Departamento de Obras Públicas da Secretaria de Obras.

Com obras antigas, Duarte afirma que a prefeitura não tem muitos problemas. Ele cita o viaduto JK, um dos mais velhos de Bauru, que não apresenta falhas graves. “Mas você tem que estar sempre passando e olhando”, frisa.

Materiais

Muitas pontes de Bauru ainda são feitas de madeira, material barato mas que tem vida útil bastante inferior ao concreto ou aço - apenas cerca de 15 anos.

A preocupação das estruturas de madeira é evitar cupins e estar atento à deterioração do material. No caso do metal, a vilã é a corrosão. Para o secretário de Obras, o concreto é “quase eterno”.

“Não tenho restrição à utilização de madeira. Mas eu não faria uma ponte de madeira sobre a Marechal Rondon, por exemplo”, argumenta.

Um dos critérios é o volume do fluxo de pedestres e veículos no local. Com a intensificação da utilização da estrutura, pode ser necessário repará-la ou transformar uma de madeira em concreto ou metal.

“A ponte da Vila Bom Jesus, talvez na próxima reconstrução não seja mais de madeira. Quando ela foi construída, o movimento não era grande”, exemplifica o titular da pasta.

Outro tipo de obra muito utilizado em Bauru são os bueiros. Enquanto a ponte tem pilares e vão livre, o bueiro não tem. Um trecho do córrego é canalizado sob a rua.

Apesar dos problemas em diversos bairros da cidade, os quais o JC nos Bairros de hoje ilustra nas próximas páginas, Duarte avalia que, de modo geral, as pontes, passarelas e viadutos de Bauru estão em boas condições.