08 de julho de 2026
Geral

População adota postura de defesa

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Boa parte da população já se acostumou a conviver com a possibilidade de ser furtada. Situações anormais já foram incorporadas ao dia-a-dia. A aparente falta de reação diante da violência urbana pode ser um elemento de defesa, avalia a psicóloga Cláudia Tebet Gomes Manaia.

De acordo com ela, toda violência, por menor que seja, afeta o ser humano, mesmo que aparentemente ele não transmita qualquer reação. “A violência mexe com as pessoas e elas ignoram para se defender. As pessoas não se chocam com fatos pequenos. Para mexer com a alma, precisa ser um crime hediondo”, explica.

A psicóloga acha que os pequenos delitos são incorporados ao cotidiano. “A tendência é a pessoa só se chocar com mortes muito violentas, do tipo pai que mata filho, porque se tornam mais egoístas, não interferem porque temem ser afetadas”, opina.

As vítimas de pequenos furtos ou roubos podem se tornar mais apreensivas. “O fato fica gravado como um “sinal de alerta” e elas passam a dar mais valor à prevenção. Adotam pequenos procedimentos para dificultar a ação dos ladrões. Elas redobram os cuidados”, analisa.

A mesma linha de pensamento tem a dona de casa Juliana Aparecida da Silva. Ela anda na área central da cidade com a bolsa bem próxima ao corpo. “Nunca fui assaltada, mas acompanho os casos e sei que andar com a bolsa dessa maneira evita a ação dos marginais”, diz.

A mulher explica que em sua casa também toma precauções. “Tranco tudo. Fico fechada dentro de casa. Moro no Jardim Flórida e sei que não devo abusar”, explica. O medo da dona de casa tem causa justificável. “Em frente a minha casa tem um bar. Lá ocorrem muitas brigas, já teve até tiro”, conta.

A paulistana Elaine Cristina Alves, em visita a Bauru não deixou de tomar os cuidados que adota na Capital para evitar ser vítima de ladrões. “Em São Paulo, ando só com a bolsa presa ao corpo. Mesmo quando saio da cidade continuo tomando a mesma precaução”, conta. Quero prevenir. Mesmo em casa, um apartamento, eu coloquei travas nas portas”, completa.

O recepcionista Marcelo Belize Herrera teve a carteira furtada e agora anda com ela nas mãos. “Foi na avenida Rodrigues Alves. Um sujeito tirou minha carteira do bolso da calça. Perdi mais documentos do que dinheiro, mas não quero passar de novo por isso”, afirma.

Ele confessa que ficou traumatizado com o furto. “Eu imagino o que passa uma vítima de crime mais grave”, comenta. O recepcionista conta que crimes graves ficam registrados em sua memória.

A estudante Ana Carolina da Silveira segura a bolsa junto ao corpo e fica alerta, especialmente quando tem que visitar a área central da cidade. “Se eu percebo que algum estranho está me olhando muito, entro em uma loja ou ando mais rápido”, conta.

Mas não é só no Centro da cidade que as pessoas estão atentas, apreensivas. O ferroviário Paulo Roberto Gonçalves, que há quatro anos caminha no Parque Vitória Régia, faz uma observação. “Eu nunca fui assaltado. Acho que o meu porte físico ajuda a assustar o ladrão. Percebi que antigamente, pela manhã, os pais passeavam com as crianças no parque. Hoje, eles sumiram e ficam só as prostitutas”, analisa.