08 de julho de 2026
Política

'Paciência de Jó'

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

Aparentando uma certa tranqüilidade, o prefeito Nilson Costa (PTB) disse ontem estranhar a instalação de mais uma Comissão Processante (CP) para investigar denúncia contra sua administração.

“Eu tenho a paciência de Jó. Vejo tudo isso como algo inerente ao processo político brasileiro, às vezes marcado pela sujeira daqueles que querem tumultuar”, alfinetou.

Para ele, a Câmara Municipal de Bauru poderá registrar um “recorde nacional” ao instalar duas CPs paralelas para apurar denúncias de possíveis irregularidades em seu governo.

“A primeira Processante ainda não terminou. A segunda vai apurar assunto correlato. Eu pergunto: a cada anormalidade de repasse de 30, 40 quilos de alguma coisa o prefeito terá de responder com uma Comissão de Inquérito?”, questiona.

Segundo Nilson, “informação extra-oficial” aponta que todos os produtos adquiridos pela prefeitura da empresa citada pelos denunciantes foram entregues à merenda.

“Portanto, uma boa parte já foi consumida e outra parte está estocada na merenda. O abastecimento da merenda continua normal.”

Sobre a denúncia de que no local da sede da empresa há uma residência, o prefeito alega que não cabe à administração verificar “in loco” a situação de seus fornecedores.

“Ao que me parece, essa empresa vem fornecendo à prefeitura e passa pelas licitações. Portanto, ela tem que comprovar a sua situação financeira. Caso contrário, ela seria desclassificada”, explica.

Nilson acredita que há uma articulação da bancada da oposição para tumultuar o seu governo. “Querem desarticular a merenda; querem que ocorra um descontrole, que a população se aborreça com o prefeito. Com isso, acham que poderão se beneficiar, no futuro, dessa situação política.”

Ele acredita ainda que, com a aproximação das eleições municipais do ano que vem, poderá ocorrer a tentativa de novos pedidos de Comissões Processantes para tentar cassar o seu mandato.

“Mas eu respeito o Poder Legislativo. Eu acho que é inerente ao vereador o direito de investigar. Mas critico esse tipo de processo, na qual se usa um instrumento da época da Ditadura Militar, sem qualquer cuidado com a verificação da procedência e preservação da reputação. Isso poderia ser tolerado no regime de 64. Hoje, com a democracia vigindo, acho um absurdo.”

O chefe de Gabinete da Prefeitura, Antonio Sérgio Marsola, reforça que todos os processos de compra da administração são feitos através de licitação. “Além disso, a prefeitura sofre uma série de auditorias. Com referência à merenda, o Tribunal de Contas tem verificado sistematicamente todos os processos de compras da administração.”

Ele lembra que o Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação (FNDE) enviou auditoras para apurar a situação da merenda no município.

“Ora, se existe alguma coisa para a gente duvidar, alguma irregularidade, é só aguardar esse órgão expedir o relatório. É um órgão que mais do que ninguém quer saber aonde foi aplicado o dinheiro.”