Herbert Vianna, João Barone e Bi Ribeiro trouxeram três amigos contemporâneos, também roqueiros, mas de estilos bem diferentes para tocar com eles no show do projeto Pão Music, que comemorou na última sexta-feira, os 107 de Bauru. Em contrapartida, para acompanhar as quatro guitarras, um público estimado em 45 mil pessoas fez coro para Os Paralamas do Sucesso e seus convidados: Andreas Kisser, Dado Villa-Lobos e Edgard Scandurra.
No palco, o tempo de carreira das bandas também era quase centenário: 22 anos de Paralamas, 22 do Ira!, 22 de Sepultura e mais 21 da Legião Urbana, se descontarmos a trajetória de Renato Russo, que começou em 1978 como o Aborto Elétrico. Nem os próprios músicos acreditavam que um encontro desses pudesse acontecer.
“Em momento algum eu imaginava um show como esse. Eu vi pela primeira vez o Edgard Scandurra tocando com os Paralamas. Foi inédito, hoje, aqui em Bauru”, comentou Dado Villa-Lobos minutos após o show com duas horas de duração, que resgatou duas décadas de sucesso dos Paralamas e foi finalizado com “Inútil” e “Que País é Esse?”, hits dos anos 80 das bandas Ultraje a Rigor e Legião Urbana, que foram precedidas pela introdução de “Loiras Geladas”, do RPM, na guitarra heavy de Andreas Kisser.
“Eu também vi a fita demo de ‘Alagados’, quando morava no mesmo prédio do Herbert, em 1986. Eles são amigos da gente há tanto tempo, mas jamais pensei que estaria agora nesse momento”, acrescenta o ex-Legião que se tornou um “quarto” Paralama.
Nos bastidores após o show, os músicos comentavam que a apresentação de Bauru teria sido uma das melhores desde o retorno da banda após o acidente com Herbert Vianna.
Aliás, Herbert deu um show de simpatia e força de vontade à parte, a cada músico que apresentava não se cansava de repetir que “era um irmão que estava junto com eles na batalha há muitos anos”. Mesmo na cadeira de rodas, foi capaz de quebrar três cordas e tocar as músicas até o final, sem trocar a guitarra ou perder o tom.
Os amigos Kisser e Scandurra confidenciaram que Vianna é um cara iluminado, “tem poderes” e só por isso melhora a cada dia e musicalmente parece não ter sido abalado.
Os vocais dos 45 mil bauruenses cresciam nos hits antigos, que marcaram época de uma turma mais velha, com seus 30, 40 anos, que pode ser adolescente por algumas boas horas. “Meu Erro” a terceira canção apresentada no show fez até o pessoal das cadeiras se levantar. Foram raros os fãs que conseguiram permanecer sentados o tempo todo.
A moçadinha, por sua vez, sabia as letras do CD “Longo Caminho”, de cor e perdeu-se a conta de quantos disparos de flash foram feitos. Todos queriam registrar aquele momento histórico além da memória.
Duas toneladas
Como se não bastasse a festa musical no Recinto Mello Moraes, a cidade também foi presenteada com uma tonelada de alimentos não-perecíveis arrecadada entre os convidados vips do lounge, que será dobrada pelos supermercados Pão de Açúcar e entregue a entidades locais.
Na avaliação do idealizador do projeto Pão Music, o produtor Eduardo Romero espetáculo em Bauru ficou dentro das expectativas dos organizadores. “Foi uma festa do tamanho que esta cidade merece. Este foi o primeiro ano, mas no ano que vem estaremos aqui de novo, com outro show maravilhoso porque o Pão de Açúcar, quer ser um cidadão de Bauru.”
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O que rolou
"O Calibre"
"Fui Eu"
"Meu Erro"
"Já Não Consigo"
"Vital e Sua Moto"
"Soldado da Paz" (com Dado Villa-Lobos)
"Trac-Trac" (com Dado Villa-Lobos)
"Longo Caminho"
"Será Que Vai Chover?"
"Assaltaram a Gramática"
"Cuide Bem do Seu Amor"
"Mensagem de Amor" (com Andreas Kisser)
"Selvagem" (com Andreas Kisser)
"Dos Margaritas"
"O Coice"
"Ela Disse Adeus"
"Bela Luna"
"Lanterna dos Afogados"
"Running On The Spot" (com Edgar Scandurra)
"Caleidoscópio" (com Edgar Scandurra)
"Uma Brasileira"
"Ska"
"Alagados"
"Lourinha Bombril"
Bis
"O Beco"
"A Novidade"
"Inútil" (com todos os convidados)
"Que País é Esse?" (com todos os convidados)