10 de julho de 2026
Cultura

Artigo: Um show para não esquecer

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 2 min

Quem gosta de rock nacional tremeu quando, no início de 2001, Herbert Vianna ficou por semanas entre a vida e a morte num hospital carioca após um acidente aéreo que vitimou sua esposa, Lucy.

Mais do que cantor e líder de uma das mais importantes bandas brasileiras em todos os tempos, Herbert era um grande compositor, uma figura querida, que sempre se manteve sob as luzes dos holofotes pela beleza de suas palavras e suas canções, pelo amor explícito à família e não por causar polêmica ou pelo comportamento excêntrico, tão comuns no meio artístico.

Sua perda teria sido irreparável. A torcida dos fãs (como eu) por sua recuperação foi grande e a felicidade pelo seu retorno aos discos e depois aos palcos maior ainda. Faltava conferir com os próprios olhos.

Sexta-feira, no dia do aniversário de Bauru, os Paralamas deram um grande presente para a cidade e para os fãs com uma apresentação impecável, para guardar para sempre na memória. Era para ser um show do último disco, “Longo Caminho”, mas foi mais que isso. O trio fez em duas horas um retrospecto selecionadíssimo da carreira, com hit após hit. Não faltou quase nada. Teve “Vital e Sua Moto”, “Ska”, “Alagados”, “O Beco”, a raríssima “Será Que Vai Chover”, do primeiro disco ao vivo...

Mas o melhor: o show trouxe a resposta que só faria sentido se viesse ali mesmo, no palco. Herbert Vianna está bem. Cantando, tocando, conversando (pouco é verdade) com o público. Fechando os olhos por alguns segundos era impossível saber se aquela interpretação de “Lanterna dos Afogados” estava sendo feita ali ou em algum lugar de 1989, quando a canção saiu no disco “Big Bang”.

Como ninguém vai a um show para ficar com os olhos fechados, foi inevitável pensar na trajetória daquele cara que estava ali, sentado em sua cadeira de rodas, tocando guitarra e cantando como há 5, 10, 15, 20 anos. Emocionante? Ah, sim, até deixei algumas lágrimas caírem discretamente uma ou duas vezes, antes de me acostumar com a idéia de que é melhor pensar no presente do que relembrar o passado (uma lição que vale para todos os setores da vida, afinal).

Depois desse show - que até teve convidados ilustres para torná-lo ainda mais especial - o único desejo que fica é que o caminho de Herbert, Bi e Barone seja cada vez mais longo. E que Bauru seja um ponto de parada nele de vez em quando.