O assunto destes dias é a tal da reforma da Previdência. Neste meio tempo, já ocorreu de tudo e uma onda de protestos tomou conta do País. Não quero aqui entrar no mérito da questão - ela é muito complexa e não teria como chegar a uma análise mais detalhada com pouco espaço. Obviamente, não há como deixar de mudar algumas coisas - em especial no que diz respeito à proporção do que alguns pagam e recebem. No entanto, me parece que, como sempre, estamos cuidando apenas de uma parte do assunto, o que nos deixa mais uma vez indignados e faz com que, nossa gente olhe o que chamam de novo com certa desconfiança. O que vamos reformar? Apenas a relação de contribuições e ganhos dos funcionários públicos? E nada será feito com os sonegadores? Será que não caberia na mesma reforma e aí sim - talvez o povo chamado a contribuir se sentisse mais tranqüilo - mexer também nas leis que permitem que, com tranqüilidade, os grandes contribuintes não paguem suas contribuições e tudo fique por isso mesmo? Até quando vamos achar que o povo - apenas o povo - é o eterno culpado de todos os males?
Todos sabemos que o Brasil tem uma lista imensa de devedores da Previdência e que os valores literalmente sonegados forma uma fortuna. Entre estes devedores estão grandes empresas, clubes de futebol e muitas instituições públicas. Não estamos falando aqui de R$ 10, R$ 20, R$ 1.000 ou R$ 10 mil - estamos falando de bilhões e antes disso - estamos falando com clareza da sonegação. Ao mesmo tempo - não querendo esquecer da importância da reforma, estamos querendo também que se pense na reforma - em como trazer de volta o dinheiro que conhecidos e desconhecidos corruptos afanaram.
Não queremos crer que esta reforma seja mais um paliativo e uma conta a ser paga por quem, por bem ou mal, sempre contribuiu. Se a coisa é séria - e me parece ser - é bom então que não se deixe de lado o conceito de que justiça é para todos, que não se tente fazer crer que o problema do Brasil está apenas no regime especial dos funcionários públicos e que de vez por todas os grande devedores sejam chamados a responsabilidade. O que não pode, não deve e gera tanta resistência é esta sensação nítida de que tudo é pago apenas pelo povo - que mal consegue sobreviver - enquanto os grandes devedores continuam sonegando sem qualquer tipo de incômodo. Não há de novo nisso. Talvez o novo comece amanhã.
Cosmo Palasio de Moraes Jr. - cpalasio@uol.com.br