08 de julho de 2026
Geral

Sem-terra cobra transporte escolar

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Cerca de 60 sem-terra protestaram por quase quatro horas, ontem, em frente à sede da Secretaria Municipal da Educação (SME) exigindo transporte gratuito para as 35 crianças do Movimento Terra Nostra irem à escola. Antes das férias de julho e após um outro postesto, elas foram matriculadas na escola estadual Ada Cariani Avalone, no Núcleo Mary Dota, que fica a cerca de sete quilômetros do acampamento dos sem-terras, que reúne 230 famílias.

Agora, com a volta às aulas, as crianças não têm como ir à escola. A direção do Movimento Terra Nostra solicitou o transporte à prefeitura através de ofício, no início de julho. Celso Costa, um dos coordenadores do movimento, afirma que está apenas cobrando direitos estabelecidos pela Constituição, que garante transporte escolar gratuito para crianças matriculadas na rede pública de ensino.

“Nós não estamos reivindicando, mas exigindo que a Secretaria de Educação designe um ônibus para levar nossas crianças até a escola”, aponta Costa, ressaltando que o movimento quer vagas nos ensinos fundamental e médio para outras 45 crianças e adolescentes do acampamento.

Os sem-terra estão acampados há quase seis meses na região de Bauru. Atualmente, eles ocupam uma área na beira da estrada que liga o Jardim Chapadão ao Esquadrão da Vida e dá acesso ao Horto Florestal Aimorés. Mas na época que fizeram o pedido do transporte, eles estavam acampados em outro local.

Sob gritos de “Queremos transporte escolar”, os sem-terra saíram em passeata da rua Goiás com destino à Secretaria de Educação, passando por avenidas como a Duque de Caxias. A mobilização contou com a escolta de uma viatura da Polícia Militar.

Resposta

A diretora da Divisão de Ensino Fundamental da Secretaria de Educação, Alexssandra Jabur Lot Rodrigues, explica que o transporte ainda não foi oferecido porque o endereço do acampamento enviado pela escola Ada Cariani Avalone à secretaria estava errado.

“A escola nos informou que o grupo estava acampado no Horto Florestal”, diz. Após decisão judicial para a reintegração de posse da área, os sem-terra mudaram-se para o atual local. “Já entramos em contato com a escola para que nos enviem as informações corretas para viabilizar o cadastro dos alunos. Estamos aguardando essa documentação chegar”, esclarece.

O transporte escolar gratuito é oferecido a alunos que moram a mais de dois quilômetros da escola onde estão matriculados, quando não há vaga em unidades mais próximas de suas casas. A prefeitura, através de empresas terceirizadas, transporta cerca de 4 mil alunos das escolas estaduais e municipais.

A secretária municipal da Educação, Solange dos Santos Ferreira dos Reis, reforça que está trabalhando para resolver a questão do transporte das crianças dos sem-terra o mais rápido possível. “Há uma questão burocrática e nós estamos correndo para dar uma resposta positiva, mas primeiro temos que checar os nomes das crianças e a questão do ônibus escolar”, diz.

Integrantes do Terra Nossa ficaram de prontidão ontem à tarde em frente da Secretaria de Educação à espera de uma resposta sobre o transporte escolar. No horário combinado - às 16h -, Solange informou ao grupo que devido à ausência do prefeito Nilson Costa a decisão foi adiada para hoje.