09 de julho de 2026
Articulistas

Inconcebível venda de crianças


| Tempo de leitura: 2 min

Vai chegando a alturas estratosféricas o litigioso comércio de figuras humanas, com uma vendagem que vem superando em volume e valor tudo quanto produz, em larga escala, a indústria rotineira, tais como alimentos, roupas, calçados, remédios, eletrodomésticos e centenas de outros, os quais, conseqüentemente, começam a ficar relativamente encalhados nos balcões e prateleiras das lojas e supermercados, enquanto crianças, adolescentes e moças desaparecem amplamente de suas moradias, comercializados que são, livres e infelizmente, por seus responsáveis ou irresponsáveis, como é que sejam tidos. O Fundo da Organização das Nações Unidas para a Infância é quem vem constatando a anomalia, quando seus pesquisadores descobrem boquiabertos que um milhão de crianças de várias idades, assim como cerca de 500 mulheres, estão sendo vendidas, todo ano, neste nosso enorme universo. “O tráfico, que não é de animais, nem de drogas, e, sim, totalmente de humanos, é hoje um gigantesco problema global, que aflige todos os países em todos os lugares”, realça o relatório da Unicef, o qual vai além, revelando que a Europa constitui o maior mercado de compra de crianças e o Oeste da África o principal fornecedor dos “produtos”, juntamente com regiões da velha Ásia.

Atesta-se, assim, que a outrora correta humanidade está dando uma dolorosa reviravolta na sua antiga caminhada, achando que agora necessita de menos crianças nos braços e nas suas casas, podendo, então, comercializá-las nababescamente como qualquer objeto em feira-livre... Daí, a desenfreada comercialização da indefesa meninada, trocada de pais e mães a todo transe, a bom preço, equivalente a 10 bilhões de dólares por ano. É inacreditável!

O que isso surpreende é realmente constrangedor, contrastando totalmente com a real destinação dos tais seres, que não são colocados na terra com finalidades comerciais, tipo mercadoria consumível, já que Deus os põe em seu dadivoso solo com o objetivo de procriar, ir além, muito além, para felicidade de seus genitores e mantê-los engrossando indefinidamente as populações junto às quais nasceram. Conclui-se que, como os poderes públicos tributaram as manufaturas em geral, dificultando sua venda, deveriam voltar suas vistas também para esse lastimável comércio humano, visando impedi-lo ou minimizá-lo quanto possível, de sorte a acabar com isso, que é um pecaminoso atentado à paternidade, um delito que a justiça tem o dever de punir com sua eliminação pura e simples. É a nossa opinião.

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.