08 de julho de 2026
Turismo

Costa dos Alcatrazes

Márcia Duran
| Tempo de leitura: 2 min

O chão de terra batida e o verde-esmeralda do mar avisam: o turismo ecológico é lei na recém-batizada Costa dos Alcatrazes, que reúne dez praias ao Sul de São Sebastião. Os empresários se uniram em uma associação para quebrar a ocupação sazonal e mostrar o que a região tem a oferecer fora do verão. Mas não pense que por serem ecologicamente corretos, a rede hoteleira e os restaurantes tenham estrutura amadora. Muito pelo contrário.

A palavra-chave dessa faixa do litoral parece ser mesmo a biodiversidade, seja na Mata Atlântica, nos tipos de praia, na comida ou nas opções culturais. São 25 quilômetros de praias para todos os gostos: de mar aberto, de tombo, enseadas e recortadas por montanhas, rios e lagos. Desenho que oferece ao turista um leque de escolhas como se ele estivesse em um lugar diferente a cada três ou quatro quilômetros.

À sombra da Mata Atlântica, é possível desfrutar de um roteiro gastronômico, cultural, esportivo e ecológico ímpar. Isso sem ter que esperar pelo sol de verão. Mesmo no inverno dá para arriscar um mergulho nas águas transparentes graças ao clima ameno. Os mais friorentos, que não suportam a combinação de temperaturas baixas com o mar, podem desfrutar de outros prazeres na Costa dos Alcatrazes.

Trilhas intocadas levam a corredeiras e cachoeiras preservadas pelo Parque Estadual da Serra do Mar. Cerca de 84% do território da região são protegidos pela legislação ambiental.

O destino é velho conhecido dos paulistanos mais endinheirados. Pelas ruelas estreitas dos bairros, moradias de pescadores dividem o espaço com grandes casas de veraneio. Mas engana-se quem pensa que essas pessoas não se envolvem com a comunidade local. Graças ao empenho de várias sociedades de amigos, a costa aposta em um turismo ecologicamente sustentável. O poder público divide com ONGs a responsabilidade pela limpeza das ruas e das praias, pelo tratamento do esgoto e também pela preservação da Mata Atlântica, que reserva áreas intocadas. E a parceria dá certo! É quase impossível encontrar um vestígio de lixo urbano nas praias, como um toco de cigarro por exemplo.

Pontes de madeira

Uma característica bucólica dessa faixa do litoral paulista são as pontes de madeira. Como trata-se de um trecho com vários rios e lagos que deságuam no mar vindos da serra, elas são os elos entre esses recortes.

É pura nostalgia observar a paciência de um turista ou nativo esperar os carros passarem um a um sob a via de mão única. Semáforo ou asfalto para agilizar o trânsito nem pensar. No máximo, bloquetes que permitem a drenagem da água ou paralelepípedos nas subidas mais íngremes. Aliás, um dos prazeres do lugar é que o tempo corre de forma bem diferente dos grandes centros. Ainda bem!