08 de julho de 2026
Saúde

Tratamento pode reverter alergia alimentar

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

A alergia alimentar é um dos tipos mais raros de manifestação alérgica, segundo especialistas. Porém, ao restringir as fontes nutricionais de um indivíduo, ela pode se transformar num grande problema. Nestes casos, um bom tratamento pode amenizar as crises ou até mesmo reverter a situação.

“Se a pessoa é alérgica a camarão, ela pode simplesmente deixar de comer camarão. Se ela é alérgica a chocolate, ela não come chocolate. Mas imagine uma criança que é alérgica ao leite de vaca. Você vai ter que tirar dela tudo o que contém leite: iogurtes, queijos, manteiga, bolachas, bolos, pães e muito mais”, salienta o pediatra alergologista Felinto dos Santos Neto.

Segundo ele, toda alergia é causada por uma alteração genética. A pessoa que apresenta esta alteração pode manifestar reações contra qualquer coisa, em qualquer momento da vida e com os sintomas mais variados.

A alergia alimentar ocorre quando o organismo reage contra proteínas existentes nos alimentos. Por alguma razão determinada geneticamente, o organismo reconhece estas proteínas como “ameaças”. O processo é semelhante ao de uma gripe, por exemplo.

Quando o vírus ou bactéria invade o organismo, o sistema imunológico cria anticorpos para lutar contra aqueles “seres estranhos”. Isso desencadeia uma série de reações: febre, lacrimejamento, dores de cabeça, secreção nasal e assim por diante.

Com a alergia, ocorre o mesmo. Ao reconhecer as proteínas como “invasoras”, o corpo produz anticorpos e reage. Por envolver o sistema imunológico, os sintomas podem aparecer em qualquer parte do corpo, mas os mais freqüentes são os gastrointestinais (gastrite, náusea, cólica, diarréia), os de pele (manchas vermelhas, coceira) e os respiratórios (asma, rinite, bronquite).

“A alergia só se manifesta depois de um período de sensibilização. Então, é comum uma pessoa dizer que sempre comeu camarão, por exemplo, e de repente ficou alérgica. Ela não ficou. Ela nasceu alérgica, só que o organismo foi tolerante ao camarão por muito tempo e só naquele momento ele se sensibilizou e produziu os anticorpos”, explica Santos Neto.

Ele afirma que o tratamento da alergia consiste justamente em promover a dessensibilização do organismo àquele agente alergênico. Isso pode demorar meses ou mesmo anos.

O primeiro passo é determinar quais são os alimentos que desencadeiam as crises. O segundo é verificar qual é a tolerabilidade do organismo ao produto, ou seja, a partir de que quantidade ingerida o organismo começa a produzir sintomas. Este diagnóstico baseia-se em testes e anotações, por isso, também é um procedimento demorado.

“Se você identifica que o paciente é alérgico a laranjas, você primeiro suspende a fruta por algum tempo. Depois, começa a oferecer o alimento em doses muito pequenas. No caso da laranja, ele vai tomar uma gota do suco uma vez ao dia durante meses, depois passar para duas e assim sucessivamente até conseguirmos dessensibilizar o organismo”, exemplifica.

Segundo o médico, o resultado do tratamento vai depender da intensidade da alergia e isso é absolutamente individual. Na maioria das vezes, a dessensibilização torna as reações mais amenas. Mas há casos em que o processo chega a reverter totalmente a situação.

“Só que o alérgico vai ser sempre alérgico. Você pode tomar vacina, usar medicamentos, tratar com homeopatia, fazer o que for. A alteração genética continuará lá e poderá manifestar-se novamente (pelo mesmo agente alergênico algum tempo depois ou por qualquer outro)”, destaca.