10 de julho de 2026
Articulistas

Analfabetismo escolarizado


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A Unesco e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (Ocde) confirmam que a escola brasileira não sabe ensinar a ler. Ficamos em 37º lugar num grupo de 41 países, à frente de Macedônia, Albânia, Indonésia e Peru. O Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), mostram a tragédia. O Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), o Unicef e o Ibope dizem que somos últimos em leitura, líderes do analfabetismo na América Latina, com 74% de analfabetos funcionais.

Países que priorizam a educação fundamental investem em pesquisa. Adotam a concepção fônica da alfabetização porque descobriram que identificar e manipular os sons da fala, consciência fonológica e fonêmica é a forma mais eficaz de garantir o sucesso. O aprendiz deve assimilar as relações entre os sons elementares do idioma (fonemas) e as letras (grafemas). Deve entender as palavras escritas como seqüências de letras que representam os sons das palavras faladas e desenvolver a mecânica e a compreensão do que lê com a própria leitura supervisionada.

Cuba, França, Canadá, Finlândia, Austrália, Bélgica, Inglaterra, Escócia, Irlanda, Portugal, USA, Chile, Israel, Itália, Alemanha, Suécia, Dinamarca, Noruega, Holanda e Espanha alfabetizam desta forma com muito sucesso. O Ministério da Educação insiste em ignorar todos estes fatos e continua a recomendar que as escolas entreguem livros a analfabetos e esperem que eles formulem hipóteses e descubram sozinhos as relações entre letras e sons.

Diplomados reprovados no Saeb e no Enem, vexames na Unesco, Ocde e Pisa e dezenas de programas que se eternizam tentando ensinar jovens e adultos a ler, apontam numa triste direção: o Brasil inventou o analfabetismo escolarizado.

O autor, Silo Meireles, é diretor da Editora Primeira Impressão, engenheiro industrial com Extensão na Universidade de Paris.