Que susto! Passando pelas ruas de Bauru, no dia 31/7, fiquei atônita com o excesso de pichação que mudou radicalmente a paisagem urbana desta tão linda cidade. Minha preocupação é: até que ponto meia dúzia de jovens vão dominar a cidade com esta arte transgressora, desafiando assim a todos nós, cidadãos que zelamos pelo que é de todos? Confira, na rua Monsenhor Claro, e toda aquela região, todas, mas todas as quadras, tem uma marca registrada da linguagem do vandalismo. Depois deste dia, fiquei ainda mais reflexiva no desenvolvimento do projeto que já estou desenvolvendo desde 1999, aqui em Lençóis, com alunos da escola pública e meninos “da rua” (com todo respeito). Neste referido ano, foi um sucesso a conscientização e o trabalho destes jovens nas pinturas (grafitagem) de muitos muros da cidade (particulares e públicos), pois muitos deles estão intactos até hoje. De lá pra cá, os acontecimentos foram esporádicos, devido à diminuição das atividades deste projeto. Mas, infelizmente, com a volta da pichação, resolvi reativar o projeto “Pichar não é legal”, desde março deste ano, com alunos de uma escola pública, mas esta conscientização não aborda só substituir os muros pichados por grafite, mas a mudança de comportamento quanto à conservação também das carteiras e outros lugares da própria escola, pois são alvo de pichações com corretivos e pincel atômico. Isso é comum nas escolas.
Vamos parar e refletir?
- O que pensam esses jovens?
- Como os meios de comunicação e educadores deveriam atuar para amenizar esta situação?
- Nós “mais velhos”, onde erramos?
Eu, como arte-educadora e artista plástica, coloco-me à disposição de atuar num projeto bem mais amplo e me proponho arregaçar as mangas e buscar soluções adequadas, como cidadã e nada política, num modelo de qualidade de vida, incluindo esses jovens para que possamos um dia olharmos para trás e dizer: “Fizemos a nossa parte, valeu a pena!” Obrigada pela atenção.
Cássia Rando