O presidente da Câmara Municipal de Bauru, vereador Renato Purini (PMDB), instalou uma comissão de sindicância para apurar a aquisição de um módulo de empilhamento pela Casa. Durante as atividades da Comissão Especial de Inquérito (CEI) das Compras - e também na Comissão Processante (CP) - houve denúncia de que o Poder Legislativo teria pago o equipamento duas vezes.
Na época, o ex-vereador Roberto Bueno (PTB), ex-vice-presidente da Câmara Municipal no biênio 2001/2002, foi acusado de ter sido o autor do processo de compra em duplicidade do módulo de empilhamento, conforme constou no relatório da CEI das compras.
No relatório, o ex-vice-presidente é acusado de ser o responsável pelos processos de compras da Casa. Mas o parlamentar disse, em documentos enviados à CEI e à CP, que não há qualquer prova sobre essa afirmação.
O relatório citou que Bueno participou diretamente de um suposto pagamento em duplicidade na aquisição do equipamento, adquirido pela Casa juntamente com outros componentes de informática.
Na denúncia consta que o aparelho não teria sido entregue no conjunto da compra, embora conste em nota fiscal emitida pela empresa. A pendência ficou em aberto.
Durante uma das interinidades de Bueno na presidência da Câmara, ele assinou processo que autorizou a aquisição do mesmo módulo que faltou na primeira compra, cujo valor é de R$ 3.267,00.
O ex-vice-presidente confirmou o fato, mas garante que desconhecia que o equipamento fazia parte da lista de uma aquisição anterior e que não havia sido entregue. Ele diz que apenas assinou os procedimentos formais para a aquisição do aparelho, “devidamente realizado e entregue”.
Bueno esclareceu que se havia pendência anterior para a entrega de equipamento semelhante, a falha não teve nenhuma relação com ele.
Pouco antes de renunciar ao mandato, o ex-vice-presidente da Câmara apresentou um vídeo durante a realização de uma sessão legislativa, no qual a representante da empresa C&A, Valdicéia Aparecida Ponzio, fornecedora do equipamento deu sua versão sobre o fato.
Naquela sessão, Bueno explicou que os equipamentos comprados pela Câmara são diferentes no modelo e no preço, ao contrário do que afirma o relatório da Comissão Processante (CP), que apontou que o ex-vereador teria pago duas vezes a empresa pelo fornecimento do mesmo produto.
O petebista disse que no próprio edital de licitação não existia a figura do equipamento módulo de empilhamento. Para ele, se não existe a figura no edital, a possibilidade de duplicidade de pagamento do equipamento deixou de existir.
Servidores da Câmara que atuam no setor de informática vão ser convocados para depor. A sindicância tem 30 dias para apurar o fato e apresentar um relatório conclusivo sobre a investigação.