11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Para economista da FGV, o Brasil está 'engessado'

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

O diretor do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Antonio Carlos Porto Gonçalves, esteve nesta semana em Bauru ministrando uma palestra e aproveitou para fazer uma análise do atual cenário econômico brasileiro. Para ele, o governo Lula está “engessado”, ou seja, vive um momento em que há poucas alternativas.

“Como ele (o governo) tem muito que pagar, precisa aumentar a arrecadação. Para arrecadar muito, faz com que o empresário privado não queira investir. É exatamente como estava na época do Fernando Henrique Cardoso”, opina.

Gonçalves, doutor em economia pela Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, acredita que a melhor maneira para mudar esse quadro é ampliar a capacidade de investimentos e diminuir os impostos para despertar o interesse do capital externo. “Mas para isso, o governo também vai ter que reduzir os gastos e isso é complicado. Há grupos que resistem e ele tem a oposição do próprio PT”, diz.

Para ele, é inadmissível que o governo continue gastando 40% do Produto Interno Bruto (PIB) para pagar despesas. “Mais de um terço deste valor é gasto só com a Previdência pública e privada.

O economista critica os que defendem restrições ao investidor externo. “A gente só consegue usar a Internet por causa do investimento espanhol. A telefonia que havia no Brasil no início da década de 90 não iria agüentar o sistema”, opina.

Ele acredita que a falta de definição em algumas áreas acaba atrapalhando a busca de novos investidores estrangeiros. “Se eu sou estrangeiro e quero investir no setor de energia do Brasil, não sei qual é o modelo. Como é que faço? Se eu não souber a regra, não quero jogar nada”, declara.

Empréstimos

Gonçalves defende também que o governo faça empréstimos no Exterior. “A poupança externa é um complemento. Por que não usá-la? A China é um anti-Brasil, um Brasil da década de 70. Está pegando a poupança externa e investindo, crescendo 7,5% ao ano”, diz.

Ele discorda que o crescimento da economia seja sinônimo de inflação. “O Japão e a Coréia tiveram um crescimento brutal sem sem que isso ocorresse”, opina.

O economista acredita, ainda, que a atual cotação do dólar, próxima dos R$ 3,00, é a ideal. “Nesse patamar, as exportações já estão muito fortes. O setor agrícola foi muito beneficiado com esse valor. O ideal é que não subisse muito por causa da inflação”, prevê.

Sobre a economia externa, ele diz que o cenário internacional está pior do que há alguns anos. “Os Estados Unidos estavam em recessão, o Japão também, a Europa idem. Agora é que os americanos apresentaram uma pequena melhora”, declara.

Gonçalves faz ressalvas à Área de Livre Comércio das Américas (Alca). “Ela é uma questão a longo prazo. O Brasil pode ter grandes vantagens no setor agroindustrial se o americano abrir o mercado. Se não houver uma abertura considerável, acho que não teremos grandes avanços”, opina.

O economista, que visitou Bauru pela primeira vez, acredita que o potencial da região é muito grande. “O Interior de São Paulo está crescendo muito. É uma região rica em exportação”, afirma.