08 de julho de 2026
Cultura

Paisagens

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 2 min

Esqueça a velha casinha no pé da montanha, o riozinho e o barquinho do mar durante o pôr-do-sol. O que o pintor campineiro Thomaz Perina chama de paisagem não tem nada em comum com os quadros com esse título que estamos acostumados a ver.

Seus quadros abstratos, repletos de círculos, alguns traços e grandes espaços lisos formam uma idéia particular da palavra. A exposição “No Silêncio da Paisagem”, com as telas de Perina, ficam em exposição até o dia 28 de agosto no espaço Mauro Rasi, na Universidade do Sagrado Coração (USC).

A mostra é a primeira que a sala - inaugurada no final do mês passado em homenagem ao dramaturgo bauruense - recebe. A entrada é gratuita e o horário de visitação é das 15h às 22h nos dias de semana.

Vanguardista, Perina tem no círculo e na haste, sintetizados em uma única imagem, figuras constantes em sua produção, que criam um “vazio”, que acaba sendo quase que sua marca registrada. No uso das cores suas preferências recaem sempre sobre o preto o branco, o marrom e o cinza, que ele apelidou de “tons surdos”.

Cada quadro é uma viagem. Juntas, apesar de não serem muito grandes, as telas ganham uma “presença” mais forte e até um pouco opressora. O que faz com que, apesar de muito bonitos, os quadros nem sempre passem uma sensação positiva. O objetivo talvez seja esse. “Eu vejo, como sempre vi em tudo o que fiz, a desolação do ser humano”, afirma o pintor no texto de apresentação da exposição.

• Serviço

Exposição “No Silêncio da Paisagem”, de Thomaz Perina, na Sala Mauro Rasi, na USC, até o dia 28 de agosto. Rua Irmã Arminda, 10-50. Informações: (14) 235-7000.

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Quem é o artista

Thomaz Perina nasceu em 1920, em Campinas (SP), onde vive até hoje, na mesma casa da Vila Industrial. Pintor, desenhista, professor, cenógrafo, figurinista e decorador, Perina é autodidata.

De 1944 a 1964, lecionou pintura em seu ateliê e desenho e pintura na Escola de Desenho e Tecnologia de Campinas. Paralelamente, no final da década de 50 e início dos anos 60, participou da formação do Grupo Vanguarda e da fundação do Museu de Arte Contemporânea de Campinas.

Entre 1961 e 1975 atuou no Grupo Hoje e fez a ornamentação arquitetônica do Centro de Convivência Cultural de Campinas.

Entre as principais exposições que faz parte estão: o Salão Paulista de Belas Artes, em São Paulo, em 1952; o 9º Salão Paulista de Arte Moderna, em 1960 (no qual recebeu uma medalha de prata); o Salão Nacional de Arte Moderna, no Rio de Janeiro, em 1960; e a exposição “Paisagens de Thomaz Perina”, na Galeria de Arte do Sesi, em São Paulo, em 1986.