Um texto bem ordenado, pautado e pensado. São assim, atualmente, os discursos de Lula, o nosso tão esperado presidente. Michel Foucaul, escritor do livro “Ordem do discurso” e especialista no assunto, classificaria e desmembraria o texto, lapidado por publicitários “experts” de Luiz Inácio rapidamente. No dia 28 de julho, em Fortaleza, o presidente não fez diferente. Deu continuidade à sua retórica. Mas o que me levou a escrever este pequeno artigo é a surpresa que me causa todas as vezes que leio matérias, bem escritas, com um português culto, sobre assuntos considerados sérios em grandes jornais do país. Até parece uma transcrição do discurso presidencial. É engraçado como jornalistas diplomados normalmente não colocam em prática a formação humanística que a faculdade lhes proporcionou, pois é isso que o curso de jornalismo é, formação humanística e não curso de redação. Para exemplificar, escolhi a matéria pautada em todos os jornais: Reinauguração da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Todos os textos estão recheados de dados, números, nomes, partidos, o que, claro, é necessário conter. Mas em nenhum deles li o que é a Sudene? O que é esse órgão para os brasileiros?.
Para não mentir, li na Folha de S. Paulo que “isenção total do IR também é prevista e que a partir de agora todas as empresas que repassarem uma porcentagem dos lucros para seus funcionários terão incentivos”, afirmou Ciro Gomes. Mas que incentivos? O texto não responde. Hoje leio com uma visão mais crítica depois de ler um artigo de Natalia Viana, jornalista, que se baseava em “teorias” de João Arbex, também jornalista, que diz: “Deve-se seguir um conjunto de normas que aproximem o fazer jornalístico do “mundo possível” que esperamos. Um novo jornalismo deve ser mais humano e não amontoados de números.
Priscilla Sanches Salles - RG: 29.614.010-7