08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Fechamento dos bares


| Tempo de leitura: 2 min

Não sei quem é o autor do projeto de lei que requer o fechamento dos bares após as 23 horas. Pelo que fiquei sabendo, esse projeto tem por objetivo principal diminuir a criminalidade na cidade. Acredite nisso quem quiser. Para mim não passa de mais um projeto eleitoreiro, querendo que os eleitores acreditem que alguém está fazendo alguma coisa por eles. Quem gosta de sair de casa à noite para se divertir, para se encontrar com os amigos, mesmo que não tenham mais bares abertos vai continuar passeando, tentando se divertir. E os marginais, também. Ninguém vai voltar para casa só porque não tem bar aberto. Não vejo como a criminalidade possa diminuir. Talvez até aumente, com a falta do que fazer.

Tenho lido pelo Jornal algumas manifestações de pessoas favoráveis a esse projeto, que são verdadeiros julgamentos, generalizando todos freqüentadores de bares como marginais, vagabundos. Gostaria de dizer que trabalho há muitos anos, cumpro com todas as minhas obrigações pessoais, políticas e sociais, portanto não sou vagabundo. O meu lazer preferido é conversar com meus amigos, de preferência num bar, tomando um drinque. Ali discutimos tudo: política, crise, religião, educação, saúde, criminalidade e, podem ter certeza, surgem grandes propostas, que só nos enriquecem em nosso trabalho e em nossa vida. E o mais importante: não nos preocupamos com a vida de ninguém.

Dizer que esses estabelecimentos são lugares nefastos e demoníacos, só freqüentados por vagabundos e desocupados é, no mínimo, um julgamento volúvel, que traduz uma grande insatisfação com a própria vida. O fechamento dos bares após às 23 horas pode ocasionar um problema ainda maior: quantas pessoas podem ficar desempregadas. E todos sabemos que o desemprego é uma das causas da fome, da miséria, da marginalidade e, conseqüentemente, da revolta e da criminalidade. Sentar num bar com amigos e familiares, “jogar conversa fora”, tomar uma cerveja, pode ser um grande prazer para algumas pessoas, tão importante, quanto para outras, é ir ao cinema, à igreja, ou apenas, ficar em casa.

O mais importante é o respeito que deve existir entre as pessoas. O respeito pelo próximo só é adquirido com educação, com aprendizado. O respeito é condição primordial para o viver bem. Para finalizar gostaria que algumas pessoas percebessem o que está implícito nessa máxima de Luiz Fernando Veríssimo: embora quem quase morre esteja Vivo, quem quase vive já morreu.

Miguel Carlos Garcia - RG: 6.102.027-8