“Garçom, uma cerveja! Só tem chope... Desce dois, desce mais”... O refrão da música que embalou a geração dos anos 80 permanece em voga nos balcões e mesas dos bares e restaurantes não só do Brasil.
Não à toa, o País é o quarto no mundo em volume de produção, com oito milhões de litro/ano (estão à frente os Estados Unidos, com 23,6 bilhões; a China, com 15,4 bilhões; e a Alemanha, com 11,7 bilhões).
Se esse hábito tão corriqueiro mostra a preferência de uma bebida capaz de aliviar tantos verões - e agora também de aquecer invernos -, pode se frustrar pela constatação de que os consumidores não conhecem o líquido que ingerem - e não são os brasileiros os únicos que encaixam-se nessa legião de leigos.
Discussão para ser feita à mesa de um bar, diante de um copo de cerveja.
Para conhecer um pouco mais sobre essa bebida milenar não basta beber. Há que se degustar teorias. A mais recente delas chega às livrarias do País pela Editora Senac São Paulo, que brinda o leitor com 567 perguntas e respostas, de autoria do escritor austríaco Conrad Seidl.
Trata-se de “O Catecismo da Cerveja” - O Papa da Cerveja Responde a Todas as Perguntas sobre a “loira gelada”, traduzido por Flávio Quintiliano, com apresentação à edição brasileira de Josimar Melo, jornalista e crítico gastronômico, e ilustrações de Jaguar.
Se o Brasil tem a terceira maior cervejaria do mundo - a Companhia de Bebidas das Américas (AmBev) -, suplantada apenas pela norte-americana Anheuser-Busch, que produz a Bud-weiser, e pela holandesa Heineken, o trabalho de Seidl é um convite (ou dever) a uma leitura obrigatória para os simpatizantes da cevada.
O autor parte da premissa de que o ruim não é saborear uma boa loirinha gelada (embora ele afirme não devesse ser servida tão gelada, para poder apreciar melhor seu sabor); triste é ignorar as ruivas, as negras... ignorar a existência de outras variedades de cerveja que poderiam enriquecer o paladar do público: das amargas Stouts irlandesas, com seus aromas de café, às encorpadas Trapistas confeccionadas em abadias belgas, para citar apenas dois exemplos.
Conrad Seidl mostra ainda a tendência à uniformização do paladar, que se seguiu à extrema riqueza e variedade de cervejas que imperou até cem anos atrás. Tal fato deve agora vir acompanhado de uma curiosidade crescente pelo mundo da cerveja e suas nuanças. Mas esse fenômeno, para o especialista, nos países tradicionais é mais difícil de ser notado, já que os estilos antigos nunca chegaram a desaparecer.
No novo mundo, porém, o surgimento de pequenas cervejarias que produzem tipos mais variados é crescente. A tal ponto que mesmo as grandes corporações começam a diversificar sua produção.
Divagações à parte, o que o autor propõe em “O Catecismo da Cerveja” é desvendar as curiosidades, lendas e mistérios acerca da bebida. O formato utilizado agrada: são perguntas e respostas agrupadas por temas muito didáticos. Do conceito à qualidade, passando pelas marcas, fabricantes, as mais antigas, a cerveja e suas festas, sem esquecer de suas propriedades medicinais. Nenhum questionamento e resposta escapam do conhecimento desse apreciador (e beberrão) confesso da bebida que geralmente contém cerca de 5% de álcool e muito gás carbônico.
A propósito, o que o garçom serve ao freguês num copo de cerveja - em linguagem técnica - é “uma bebida de teor levemente alcoólico obtido pela fermentação do amido sacrificado”.
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• Comprar muitas caixas de cerveja com desconto especial para consumi-las semanas mais tarde é um mau hábito, que compromete o sabor.
• Recomenda-se estocar cerveja em local fresco e pouco iluminado. Baixas temperaturas reduzem a ocorrência de reações químicas. E no escuro não existem raios ultravioletas que possam alterar as substâncias do lúpulo.
• O sabor metálico foi por muito tempo o principal obstáculo para a comercialização de cervejas em lata.
• O Dia de São Miguel é comemorado em 29 de setembro e marca o início do “ano-novo” (ou novo ciclo) da fabricação da cerveja.
• O copo correto da cerveja deve corresponder às características de sabor de uma cerveja, pois a visão e o tato influem no prazer de beber. Deve-se escolher um copo mais bojudo para uma cerveja de sabor intenso e um copo estreito para uma cerveja mais seca.
• Por se tratar de uma cerveja “elegante”, a Pilsener deve ser bebida em um copo estreito ou reto.
• A espuma que adere às bordas do copo é considerada um sinal de boa cerveja.
• A cerveja nunca foi considerada bebida de gente pobre. Ao longo dos séculos, eram justamente as pessoas pobres que consumiam bebidas fortes, enquanto os moralistas louvavam a cerveja como bebida de moderação.
• Os monges sempre adoraram cerveja, considerando-a uma bebida saudável. Não se deve esquecer que o álcool exercia um papel importante e sagrado em muitas civilizações.
• A henzet, como a cerveja era chamada entre os faraós, era um elemento importante de sua alimentação, superado apenas pela água.
• Pesquisa com doentes cardíacos mostrou que o consumo moderado de cerveja (uma lata) pode ser saudável. Ela diminui o colesterol ruim, aumenta o colesterol bom e antioxidantes no sangue.
• Existem diferenças entre a cerveja de barril e de garrafa. Geralmente, a cerveja em barril tem menos gás carbônico, é fresca e tirada com pouca pressão de gás carbônico. Por esse motivo, a cerveja engarrafada às vezes tem sabor mais “áspero” que a cerveja em barril.
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Ensopado de alcatra com cerveja preta
• 2 colheres (sopa) de azeite
• 200 g de bacon picadinho
• 1 1/2 kg de alcatra em cubos
• 1 cebola grande picada
• 4 dentes de alho, socados
• 2 talos de salsão, picados
• 1 cenoura ralada
• 1 pimenta dedo de moça, sem sementes
• 2 cubos de caldo de carne
• 1 garrafa de cerveja preta
• Água para completar o cozimento
• Salsinha e cebolinha picada a gosto
Aqueça o azeite, junte o bacon e frite até dourar. Acrescente a carne e refogue bem. Acrescente a cebola, o alho, o salsão, a cenoura, a pimenta, o caldo de carne e a cerveja.
Misture bem, tampe a panela e cozinhe em fogo baixo, por cerca de uma hora, completando com água quente, sempre que começar a secar. Retire do fogo, polvilhe com a salsa e a cebolinha verde picada.