10 de julho de 2026
Polícia

Carreira militar é a paixão de três irmãos bauruenses

Da Redação
| Tempo de leitura: 5 min

Três irmãos bauruenses unidos pela mesma vocação: a carreira militar. Na família dos Folkis, dos cinco filhos, três escolheram profissões parecidas: o mais velho, tenente Ricardo, 30 anos, trabalhou por quatro anos no Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), da Polícia Militar, em São Paulo, e há três meses comanda um pelotão em Lençóis Paulista.

O dentista Roger, 28 anos, presta atendimento odontológico para os militares e lidera uma tropa do Exército de Manaus. O mais novo, Fernando, 24 anos, integra os Marinnes, tropa de elite da Marinha norte-americana.

Embora tenham crescido ouvindo histórias do avô ex-militar, os irmãos Folkis revelam que não foram tão influenciados pela família a seguir carreira militar. A mãe, que mora em Bauru, é professora e o pai trabalha na área administrativa de uma empresa de entrega americana, a Fedex. Um dos irmãos é químico e o outro estuda web designer nos Estados Unidos.

Ricardo, que pretendia ser médico, conta que o interesse pela carreira militar foi aguçado durante um Baile da Espada - festa comemorativa pela formatura dos oficiais da Academia Barro Branco. “Fiquei maravilhado e prestei vestibular para o Barro Branco. Tentei por quatro vezes”, revela o tenente, que se formou em 1997 e entrou no Gate em 1999.

Ricardo, que desde que se formou sonhava em trabalhar no Gate, conta que o grupo trabalhava exclusivamente em dois tipos de ocorrência: as que envolvem artefatos explosivos e as que lidam com reféns localizados. No famoso caso do seqüestro de Silvio Santos, que foi mantido em cativeiro em sua própria casa, Ricardo comandava uma equipe que era responsável por invadir a residência do apresentador.

“Foi emocionante porque o País inteiro parou para assistir”, lembra o tenente. Ele cita outro caso que marcou sua carreira no Gate: a desativação de um carro-bomba que foi deixado no estacionamento do fórum paulista da Barra Funda, em março do ano passado. O tenente conta que durante o expediente uma pessoa ligada à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), estacionou um Escort no local. No outro dia, o vigilante estranhou o fato e acionou o Gate, que encontrou uma ameaça do PCC no pára-brisas exigindo o fim das retaliações e das transferências de membros do PCC para penitenciárias do Estado.

“No carro, havia aproximadamente 15 quilos de dinamite, o suficiente para quebrar todas as vidraças do fórum, abalar sua estrutura e atingir de forma fatal quem estivesse num raio de 100 metros”, relata Ricardo, revelando que, por sorte nunca se machucou em operações desenvolvidas no Gate.

“Mas houve policias que já se feriram. Na megarebelião realizada em 2000, por exemplo, o Gate ficou responsável pela Penitenciarária do Estado, que é um anexo da Casa de Detenção de São Paulo. O local era pouco iluminado, havia muita fumaça dos colchões que os presos queimaram e o chão estava coberto de óleo e água”, diz.

“Quando entramos, fomos recebidos a tiros e tivemos cinco policiais feridos nessa operação”, recorda Ricardo, enfatizando que os presidiários mantinham três mil ‘pseudo-reféns’ - parentes e amantes dos presos que estavam no local no momento da rebelião. Quando sua avó faleceu, no início deste ano, Ricardo pediu para trabalhar em Bauru ou em uma cidade próxima de sua terra natal. Há quatro meses, Ricardo trabalha com o policiamento diário, comandando um pelotão de 25 homens, em Lençóis Paulista.

“A transferência para Bauru se deu exclusivamente por problemas particulares”, diz o tenente. “Chorar eu não choro, mas bate uma saudade tremenda do Gate. Num futuro, quem sabe, eu pretendo voltar a trabalhar lá”, planeja Ricardo, emocionado.

No caso de Roger, seu ingresso na carreira militar se deu de forma acidental. Formado em odontologia, há mais de uma ano, ele participou de uma prova que recrutava médicos e dentistas para atender ao Exército de Manaus, no Amazonas.

“O Roger foi visitar a namorada que mora em Porto Velho, Rondônia, e por acaso, fez a concurso e passou. Agora, além de prestar atendimento odontológico, meu irmão é tenente e comanda uma tropa”, conta Ricardo, ressaltando que seu irmão ainda não possui autorização do Exército para falar sobre os casos em que atuou. “Ele está começando agora e, com certeza, terá muitas histórias para conta”, completa.

Histórias de guerra

Fernando, que é fuzileiro naval dos Marinnes, já vivenciou muitos episódios de notoriedade mundial, como a guerra entre os Estados Unidos e Iraque. Sua primeira missão aconteceu após os ataques terroristas às torres americanas, em 11 de setembro de 2001. Fernando, que mora há alguns anos nos EUA, relembra que após os ataques, foi enviado ao Afeganistão em busca de Osama Bin Laden.

“Não gosto muito de falar sobre isso, porque foi algo que marcou muito minha vida. Lá (no Afeganistão) presenciei coisas horríveis, principalmente quando fazíamos incursões nas cavernas à procura por Bin Laden”, relata. “Não gosto de lembrar pois vi muitas vidas se partirem”, revela Fernando, em entrevista concedida via e-mail ao JC.

No período da guerra, a companhia em que Fernando trabalha foi convocada para vigiar à Coréia do Norte, que na época ameaçava fazer ataques nucleares contra os EUA. “Foi muito interessante”, conta Fernando, ressaltando que o trabalho desenvolvido pelo seu irmão Fernando, no Gate, o incentivou a entrar para a carreira militar.

“O ingresso nos Marinnes é algo que todo americano nato ou naturalizado pode se inscrever, mas a seleção é muito rígida. Somos treinados para ser combatentes de guerra e a todo momento, a tropa é testada”, conta Fernando. Atualmente, o fuzileiro está envolvido em um trabalho de reconhecimento e patrulha de países asiáticos. Entre eles, Cingapura, Mongólia, Tibet, China, e Japão. (Da Redação)