09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

'Carta aos empresários e cidadãos'


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Neste sábado último (9/8), participei como debatedor do evento “Os desafios de crescer”, promovido pela Febraban e ITE, com a participação de Roberto Luís Troster (economista-chefe da Febraban) e Hugo Dantas Pereira (diretor-geral da Febraban). O título é sugestivo, pois o setor que eles defendem é aquele que mais cresce e ganha dinheiro neste País, que são os bancos. Avaliar a competência e a influência que os bancos exercem na economia nacional é desnecessário, pois acho que concordamos que eles se aproveitam muito bem da fragilidade das empresas, dos cidadãos e do governo, para ganhar o dinheiro que ganham, a ponto de influenciarem os grandes bancos mundiais a imitarem os nacionais e praticar no Brasil as mesmas taxas exploradoras, spreads irracionais, além dos juros nas poucas e raras linhas de crédito existentes.

Defendi no debate a importância do País alavancar o crescimento das micro, pequenas e médias empresas como fator de crescimento sustentado, distribuição de renda, emprego e fortalecimento do mercado interno. Este perfil de empresas não tem acesso a crédito ou o tem a custos inviáveis. Porém, quero defender aqui uma iniciativa dos empresários e cidadãos que pode começar a melhorar este cenário de crédito disponível a custo viável para alavancar a economia. O que eu vou defender é óbvio, mas nós sabemos que as melhores soluções são, geralmente, as mais simples.

“Precisamos fomentar uma competição entre os bancos, objetivando uma migração dos lucros atuais existentes para a economia de consumo.” Ou seja, todo empresário ou cidadão deve fazer uma avaliação dos custos/spreads/taxas praticados pelo seu atual banco e procurar bancos alternativos que ofereçam os mesmos serviços mais baratos. Além disso, as entidades de classe, no meu caso a Fiesp/Ciesp, assim como a classe política, deveria fazer um esforço de maior pressão para que os bancos estatais, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e outros, pratiquem taxas, spreads e juros “menores”, forçando e estimulando quedas no mercado, e, assim, estimular a competição. Utilizar a “competição” como mecanismo de pressão é salutar, saudável e inteligente. É claro que sabemos que existem problemas estruturais maiores, como tributações adicionais (IOF), CPMF, etc... Além dos créditos contingenciados, lei da falência, etc...

Porém, não podemos mais aceitar a inexistência do crédito ou a existência do mesmo em condições inviáveis aos tomadores, e este ser um processo que desestimula o crescimento necessário para alavancagem das empresas e desestimula o consumo, provocando assim, o não crescimento econômico e seus malefícios. A proposta pode parecer inócua e ineficaz, mas se o processo proposto virar “febre nacional”, tenho certeza que melhoraremos a disponibilidade de créditos mais baratos, e isto ajudará a alavancar a economia, distribuir renda, emprego, etc... Não dá mais para viver em um país onde os agenciadores do dinheiro (bancos) ganhem tanto e prejudiquem o desenvolvimento das empresas nacionais que empregam, etc, etc, etc... Espero estar contribuindo para uma grande mobilização e que contribua para os objetivos aqui propostos. Muito obrigado!

Ricardo Marques Coube - vice-presidente do Ciesp