08 de julho de 2026
Geral

Saúde fará lista de maus funcionários

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

O secretário municipal de Saúde, Hanna Georges Saab, anunciou ontem que pediu um levantamento dos funcionários que estariam negligenciando e maltratando pacientes e familiares do Pronto-Socorro (PS) Central. As reclamações, quase diárias, prosseguem mesmo após a reforma e ampliação do local, que custou R$ 525 mil.

Saab diz que não está descartada a hipótese de transferência dos servidores que apresentarem mau comportamento. “Nós queremos que o usuário chegue ao PS e seja bem atendido. Se a pessoa responsável por isso não o faz, não adianta mantê-la lá. Na primeira, a gente releva, na segunda, adverte. Na terceira ou quarta, muda de lugar”, declara.

A decisão conta com o apoio do chefe de Gabinete da prefeitura, Antonio Sérgio Marsola. “Uma vez detectado o problema, ele tem que ser analisado e resolvido”, afirma.

O secretário esclarece, porém, que não se trata de uma caça às bruxas. “A gente não pode ser afoito, pois, na emoção, acaba se punindo inocentes. Vamos conversar com todos que tiverem problemas para ver o que está acontecendo. Não queremos penalizar quem não merece”, revela.

Segundo ele, cada caso será analisado com todo o cuidado. “Precisamos saber o que realmente aconteceu. Às vezes, a reação do funcionário é uma respota a uma agressão do usuário. Não vamos só pôr a culpa no nosso servidor. Temos que estudar por que ele foi agressivo”, opina.

Saab acredita também que o número de funcionários problemáticos é pequeno. “A maioria não é de pessoas sem educação. O clima de pronto-socorro é que é tenso. Quem chega lá é porque está precisando de alguma coisa e quer ser atendido de imediato”, diz.

Gratificação

Para trabalhar no PS Central, os servidores recebem 125% de gratificação sobre o salário pago em outras unidades de saúde do município, o que desperta grande interesse por parte deles. Saab afirma que a remuneração não será aceita como desculpa contra eventuais transferências. “Eles são funcionários da prefeitura. Não são fixos daquele setor e podem ser removidos”, declara Saab.

O secretário espera que os cursos de reciclagem que são oferecidos aos servidores possam, ao longo do tempo, tornar o atendimento mais humanizado. “Queiram ou não, eles são obrigados a fazê-los. A reciclagem é um pouco demorada porque você não pode tirar todo mundo do serviço de uma vez. Não podemos fechar o pronto-socorro. Paulatinamente, vamos conversando e dandos instruções”, diz.

Sobre as declarações da ex-secretária municipal da Saúde, Eliane Fetter Telles Nunes, que afirmou que o apadrinhamento político impede que os maus funcionários sejam punidos, Saab, que está no cargo desde o início de julho, quando substituiu Sônia Fiocchi, diz que ainda não passou por esse problema. “Até agora, ninguém me pediu para que se mantivesse ninguém”, declara.

O secretário, aliás, afirma ser radical sobre esse assunto. “Se ele é apadrinhado, vamos mandá-lo ficar junto com o padrinho, e não no atendimento ao público, que tem que ser prestado da melhor maneira possível”, diz.

O chefe de Gabinete da prefeitura também nega que influências políticas impeçam possíveis punições. “Na área da saúde, temos tido um cuidado e respeito muito grandes na parte técnica da distribuição de pessoal. Não tem quase ninguém de fora, com exceção do secretário. Os demais são funcionários de carreira”, afirma.

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Conselho

O coordenador do Conselho Municipal de Saúde, José Perea Martins, afirma que o serviço prestado ao usuário do Pronto-Socorro (PS) Central será um dos temas da próxima reunião do órgão, em setembro. “Vamos fazer um questionamento ao secretário municipal de Saúde. A legislação diz que o atendimento tem que ser digno, atencioso e respeitoso”, diz.

Ele conta que as reclamações que chegam ao conselho são poucas. “Nós temos recebido e encaminhado as queixas, mas elas são mais verbais. As formalizadas são mais difíceis, pois a pessoa tem que dar o nome e fica mais constrangida.

Muita coisa não é levada para frente porque ela, sabendo que vai ter que voltar lá depois, pode sofrer represálias”, opina.

Segundo Martins, o conselho tem poder para cobrar soluções concretas. “A nossa função, como o próprio nome já diz, é de aconselhar, mas a lei nos delega força para deliberar, se houver consenso geral”, declara.