Os servidores e professores do câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp) vão decidir, em assembléia marcada para às 9h de amanhã, na sala 1, se entram ou não em greve em protesto contra a proposta de reforma da Previdência. A categoria já está em estado de greve e poderá paralisar as atividades, a exemplo dos câmpus de Assis, Marília e Rio Claro e de funcionários da Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Os professores Osvaldo Gradella Júnior e Luiz Fernando da Silva, diretores da Associação dos Docentes da Unesp (Adunesp), afirmam que a proposta é pressionar o governo e os deputados para que a reforma da Previdência não seja aprovada como está. “A nossa expectativa é de que essa proposta de reforma ainda seja alterada. Da forma que está, enfraquece os serviços públicos e prejudica a maioria da população”, afirma Gradella Júnior.
O câmpus de Bauru tem cerca de 1.300 funcionários, entre professores, servidores técnicos e administrativos. A proposta do comando de greve é participar de protestos contra a reforma da Previdência em São Paulo e em Brasília, unindo-se a outros servidores públicos.
Os três pontos mais criticados pelos funcionários da Unesp são em relação à paridade (eles querem garantia de reajustes iguais para aposentados e funcionários da ativa), integralidade (querem garantia de aposentadoria no mesmo valor do salário da ativa) e taxação dos aposentados e pensionistas (eles não aceitam que essas duas categorias passem a contribuir com a Previdência).
O professor Luiz Fernando Silva frisa que os funcionários da Unesp também são contra os fundos de pensão. “Não sabemos o que acontecerá com os fundos de pensão e quais os benefícios. Em países, como os Estados Unidos, Chile e outros países, os fundos de pensão estão em crise. Não temos nenhuma garantia de que isso não ocorra aqui também”, frisa.
Para os dois diretores da Adunesp, a reforma da previdência atende apenas aos interesses do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial. “Essa proposta do governo Lula é uma punhalada pelas costas, porque trai os interesses dos trabalhadores. Atende apenas aos interesses do FMI, do grande capital. Por isso o primeiro turno foi aprovado na calada da noite”, critica Silva.
Gradella Júnior ressalta que a reforma da Previdência, se for aprovada como está, vai prejudicar a universidade pública e as pesquisas. “Se for aprovada como foi proposta pelo governo, será uma pá de cal nas universidades. Os pesquisadores vão acabar migrando para a iniciativa privada”, opina.
No câmpus da Unesp de Marília, a adesão à greve foi total ontem, segundo Maria Valéria Barbosa Veríssimo, presidente da Adunesp local.
Os protestos contra a reforma da Previdência em Bauru também atingem outros setores. Os auditores fiscais e os técnicos da Delegacia da Receita Federal na cidade continuam em greve por tempo indeterminado. A informação é do presidente do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita (Unafisco), José Aparecido Pereira. Somente os atendimentos emergenciais estão sendo feitos.
Na agência local da Previdência Social o movimento parcial de greve também permanece, segundo informa a servidora Solange Contador Sneideris. De acordo com ela, o setor de benefícios só está despachando os casos urgentes.