07 de julho de 2026
Polícia

Rapaz é morto em confronto com PM

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

Adenilson da Silva Marçal, 19 anos, foi morto durante um confronto com policiais militares, no início da tarde de ontem, em frente sua casa, no Parque Jaraguá. Segundo os policiais, Marçal estava apontando duas armas em direção a um outro jovem e ao receber a ordem para jogá-las no chão efetuou dois disparos, que foram revidados. Ele foi ferido em uma das pernas e na barriga. Ninguém mais ficou ferido. A família contesta a versão.

O caso foi registrado como resistência seguida de morte no 1.º Distrito Policial, que vai instaurar inquérito para apurar a morte. “Solicitei exame residuográfico, para verificar a existência de vestígios de pólvora, das mãos dos três policiais e da vítima”, conta o delegado Elizeu de Freitas.

O exame, que ficará pronto em até uma semana, deve indicar se Marçal realmente atirou. Ontem à noite, a polícia ainda estava ouvindo o jovem que estava ao lado da vítima, considerado a principal testemunha do caso.

Marçal havia saído da Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem) há poucos meses e ainda estava em regime de liberdade assistida. Ontem à tarde, ele estava na calçada, em frente sua casa, quando houve o confronto com três policiais que faziam patrulhamento de bicicleta no bairro.

O capitão Wellington Luiz Dorian Venezian, comandante da 3.ª Cia da Polícia Militar, conta que ao entrar na quadra 19 da rua Arnaldo Rodrigues de Menezes os policiais avistaram Marçal apontando duas armas de fogo para um rapaz, que estava a seu lado. “Os policiais pararam e pediram para ele jogar as armas no chão. Mas ele atirou na direção do rapaz e depois virou-se e atirou na direção dos policiais que, para se defenderem, revidaram”, afirma.

Baleado, Marçal entrou para dentro do quintal, onde ficam várias pequenas casas, inclusive a dele. “Como em toda situação de gerenciamento de crise, os três policiais solicitaram apoio e socorro e esperaram do lado de fora. Quando outras viaturas chegaram, eles entraram e encontraram o rapaz baleado. Ele foi socorrido ao pronto-socorro”, relata o capitão Wellington.

Marçal deu entrada no pronto-socorro já sem vida. Com o rapaz, os policiais militares apreenderam um revólver Taurus calibre 38 oxidado com capacidade para cinco tiros, sendo que dois haviam sido deflagrados. Até o final da tarde de ontem, a segunda arma não havia sido encontrada.

O capitão Wellington explica que a Polícia Militar instaurou inquérito policial militar para apurar como os fatos ocorreram. Ainda hoje, os três policiais passarão por avaliação psicológica. “Se eles apresentarem algum desequilíbrio emocional, serão encaminhados para tratamento. Se não houver nenhum desequilíbrio, eles continuam nas atividades normais e responderão o inquérito policial militar e o inquérito na Polícia Civil”, diz.

Ele ressalta que Marçal tinha 13 passagens pela polícia entre tentativa de furtos, furtos, furtos qualificados, roubo, receptação e lesão corporal, cometidos quando menor. Ele foi internado na Febem e passou pelas unidades de Franco da Rocha e Lins, onde teve registros por ameaça, e rebelião e agressão. Atualmente, estava em liberdade assistida na unidade de Bauru.

Neste ano, de acordo com o capitão Wellington, foram registradas onze ocorrências entre agressões, roubos, estupro, desacato, apreensão de entorpecentes e apreensão de armas na rua Arnaldo Rodrigues Menezes. No ano passado, foram 23 ocorrências.

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Família contesta

Duas irmãs de Adenilson da Silva Marçal, 20 anos, ainda adolescentes, contestam a versão dos policiais. Daniela, 16 anos, afirma que estava no portão, a poucos metros de seu irmão quando os fatos ocorreram. “Meu irmão estava parado quando os policiais chegaram já atirando”, afirma

Ela admite que o seu irmão já esteve internado na Febem, mas afirma que ele não possuía arma. “Ele saiu da Febem esses dias por um caso de roubo. Estava de L.A. (liberdade assistida), mas é um absurdo chegarem atirando desse jeito”, disse à reportagem, indignada.

Gabriela, 15 anos, conta que seu irmão estava na calçada discutindo sobre jogo com um colega. “Ele (Marçal) não tinha arma. Eu vi quando os policiais chegaram de bicicleta e foram atirando”, sustenta. A mãe do rapaz, Rosa de Fátima Marçal, passou mal ao saber que seu filho havia morrido e precisou ser levada para o pronto-socorro.

Após os fatos, a rua ficou lotada de moradores, inclusive alguns lançaram pedras contra viaturas da Polícia Militar. Porém, todos os consultados pelo JC disseram que não viram nada. Marçal foi o terceiro rapaz morto em confronto com policiais no Jaraguá nos últimos três anos.

O último caso foi de Henrique Rodrigues de Souza, 16 anos, baleado por policiais em circunstâncias semelhantes em janeiro de 2001. A versão da PM era de que ele estava exibindo uma arma, foi perseguido e atirou contra os policiais, que revidaram. O inquérito do caso foi concluído, mas voltou para a Polícia Civil porque o promotor pediu mais diligências.

O primeiro caso foi de um rapaz, que foi morto por policiais militares à paisana, nos Altos do Parque Jaraguá, em 2001. Pela versão dos policiais, que foram absolvidos da acusação de homicídio, ele estava armado no meio da rua e atirou ao receber a voz de prisão, o que motivou o revide.