08 de julho de 2026
Turismo

A Veneza das pontes

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 4 min

Saindo de Boa Viagem rumo a Olinda ou ao Centro histórico, obrigatoriamente o visitante terá que cruzar pontes. Se a opção for o Instituto Ricardo Brennand ou o Museu-Oficina Francisco Brennand, idem.

O mesmo se a meta for atingir o Parque da Jagueira - que tem uma área verde imensa e é considerado o pulmão da cidade - ou a Apipucus, onde a vida de dona Madalena e do sociólogo Gilberto Freyre se perpetuou no tempo através de móveis, fotos, livros e outros objetos.

Como Recife nasceu numa pequena ilha espremida entre rios e o Oceano Atlântico é toda interligada por pontes. E elas são ao todo 49.

A intimidade com as águas conferiu ao Recife o título de “Veneza Brasileira”. Entre as várias pontes que levam a um passeio cultural e histórico, destaque para a mais antiga da América Latina, erguida pelos holandeses em 1643.

Os portugueses não conseguiram derrubá-la para glória dos recifenses e turistas de todas as partes que vão à Capital conhecer suas belezas e as pontes que fizeram a cidade se expandir.

O Palácio e o mercado

Além da rua do Bom Jesus, do Marco Zero e da Torre Malakoff, cruze pontes e visite outros lugares interessantes da cidade.

Vale a pena ser visitado no Centro o Palácio do Governo, o da Justiça e o Teatro de Santa Isabel, os três localizados um em frente ao outro na belíssima Praça da República.

Perto fica a rua do Imperador e a secular Igreja do Convento da Ordem dos Franciscanos. Residem ali atualmente somente seis frades que doam pão aos pobres diariamente.

É um belo exemplar de arquitetura, onde, de um lado da nave sai outra igreja, esta freqüentada antigamente somente pelos ricos, toda revestida de talha dourada.

Ao sair da igreja, a dica é caminhar pela rua rumo ao Mercado de São José, um conjunto heterogêneo de edificações de tempos diferentes. O mercado, inaugurado em 1878, é imponente: uma obra de ferro comprada na França e que hoje abriga ambulantes vendendo de tudo.

A próxima parada é no Pátio de São Pedro onde a Empetur - empresa de turismo de Pernambuco - investe em cultura e promove apresentações de frevo e maracatu. O pátio é cercado por casario baixo e tem como palco central uma imponente igreja que faz com que até agnósticos se curvem a sua imensidão.

Reverências feitas, parta para as compras de artesanato na Casa da Cultura, antiga casa de detenção construída no século 19, às margens do rio Capibaribe. O projeto do engenheiro pernambucano José Mamede Alves Ferreira, arrojado para a época, possui características neoclássicas e estilo sóbrio.

A construção, em forma de cruz, favorecia a vigilância de todas as áreas. Depois de restaurada em 1978, a cadeia cedeu espaço para a Casa da Cultura. Das suas 158 celas, apenas uma se mantém como documento do período em que servia de prisão.

As outras abrigam lojas de artesanato, galerias de arte, uma casa de câmbio e espaços para apresentações folclóricas que são realizados no palco do corredor central.

Para facilitar o acesso de pessoas idosas ou com problemas de locomoção às lojas-celas do segundo e terceiro pavimentos, foram instalados no local elevadores panorâmicos, de ferro, que não quebram a estética do prédio. Na Casa da Cultura funciona um posto de atendimento da Empetur que presta todas as orientações ao turista.

O Instituto Brennand

O Instituto Ricardo Brennand é um complexo formado pelo Castelo, Pinacoteca e Biblioteca - edificações em estilo medieval gótico.

Voltado à preservação da arte e da cultura, com ênfase no período “Brasil Holandês”, tem na priorização de programas educacionais para crianças e jovens um dos seus principais focos.

O instituto, que nasceu em 2002 com o objetivo de levar oportunidades inéditas de contemplação da arte e aprendizado a grandes parcelas da população, já se destaca no cenário nacional como importante centro de cultura do Nordeste brasileiro.

Esculturas do mestre

Consagrado no Exterior como um dos maiores expoentes das artes no Brasil, Francisco Brennand dá nome ao Museu-Oficina localizado no bairro da Várzea, no Recife.

Em uma área de quatro hectares cercada pela Mata Atlântica, o pintor, ceramista e escultor recebe os visitantes ávidos por cultura. Em uma antiga olaria pertencente a seu pai, estão expostas mais de 2 mil esculturas, além de painéis e pinturas de todas as dimensões.

O “Quarteto de Comediantes”, um conjunto de esculturas gigantes dá as boas-vindas aos visitantes que podem percorrer o templo central, salas repletas de esculturas, criptas e um anfiteatro com piso em forma de mandala, um jardim edênico e um labirinto que leva a uma fonte onde está a escultura Vênus Seqüestrada.