O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Bauru, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, Roque Ferreira, acusou ontem a direção da Ferrovia Novoeste S/A de alterar a rota do transporte de derivados de petróleo destinado a Campo Grande-MS para favorecer a Ferronorte. Diariamente são transportados 1,8 milhão de litros de combustíveis para a Capital sulmatogrossense. A direção da operadora ferroviária desmente o sindicalista.
Há pouco mais de 20 dias, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) proibiu a circulação noturna dos comboios de derivados de petróleo da Novoeste, devido a precariedade da via permanente.
Segundo Ferreira, a nova rota começará a entrar em operação hoje. Atualmente, os trens de derivados de petróleo (gasolina e óleo diesel) são carregados na Refinaria do Planalto (Replan), no município de Paulínia, localizado a uma distância de 20 quilômetros de Campinas.
Para atingir Bauru, os comboios percorrem 409 quilômetros pelos trilhos da Ferrovia Bandeirantes (Ferroban, trecho da antiga Estrada de Ferro Sorocabana), viagem cumprida em marcha de 16 horas.
De Bauru, seguem pela Ferrovia Novoeste (antiga Noroeste do Brasil) até Campo Grande, distante 840 quilômetros. O trecho é vencido em 60 horas. Na Capital sulmatogrossense é feita a distribuição para todo o Estado.
Transbordo
Ferreira garante que a informação de alteração da rota do transportes dos derivados de petróleo não é fantasiosa. A informação já circula entre os ferroviários da concessionária há vários dias.
Ele conta que os trens de combustíveis vão seguir o trajeto Paulínia-Bauru sem qualquer alteração. A partir de Bauru, a rota vai sofrer mudança.
Segundo Ferreira, os derivados de petróleo abrigados nos comboios da Novoeste - ferrovia de bitola métrica - vão ser transbordados para vagões-tanques da Ferroban (bitola larga) no pátio de Triagem Paulista.
Consolidada a operação, os trens vão seguir até Itirapina (distante 170 quilômetros de Bauru, em direção a Campinas) e de lá vão rumar para o município de Inocência, no Mato Grosso do Sul, percorrendo mais 629 quilômetros nos trilhos da Ferroban e Ferronorte.
No município sulmatogrossense, os vagões-tanques devem transbordar a carga para uma frota de caminhões, que se encarregará da distribuição até os postos de combustíveis.
“Esse é mais um lance que poderá aprofundar a crise na Novoeste. A direção da empresa, ao invés de providenciar os reparos e a recuperação dos pontos críticos da malha, optou por desviar o fluxo de carga para outra empresa do grupo, a Ferronorte, retirando da Novoeste cerca de 65% de sua receita. Fica claro que a Novoeste se transformou em insumo para a Ferronorte”, denuncia.
Para o sindicalista, a operação será “complexa e custosa”, implicando em “alto risco” no baldeio da carga em Triagem Paulista. “Triagem está abandonada e depredada.”
O presidente da entidade diz que é “até” compreensível que os proprietários das ferrovias defendam a rentabilidade de seus negócios. “O que é inaceitável é a paralisia do governo federal e de outros órgãos públicos, que assistem a tudo passivamente, sem adotar nenhuma medida para preservar o patrimônio público e os interesses da Nação”, critica.
Ferreira defende o rompimento do contrato firmado entre a diretoria da Novoeste e a União por inadimplência. A ferrovia não tem honrado o pagamento das parcelas referentes ao contrato de concessão da malha por 30 anos.
Desde que foi privatizada, em 1996, a malha Bauru-Corumbá enfrenta dificuldades operacionais e financeiras. A ilusão de que a privatização da ferrovia seria a solução para seus problemas foi atropelada pelo aumento no índice de acidentes, com consequente queda no transporte de cargas.
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'Invenção'
A assessoria de imprensa da Brasil Ferrovias - holding controladora da Novoeste, Ferroban e Ferronorte - classificou como “invenção” a notícia de que vai ocorrer mudança na rota do transporte de derivados de petróleo entre Bauru e Campo Grande.
“A empresa desmente. O fluxo de combustível entre Bauru e Campo Grande continuará a ser realizado no mesmo trajeto. A rota divulgada pelo sindicato não existe. Isso é mais uma invenção do sindicato”, garante a assessoria.
A direção da empresa reforça que o sindicato tem “sistematicamente” divulgado informações pelas quais não pode se responsabilizar. “O sindicato tem o objetivo - que consideramos legítimo - que é defender a reestatização da ferrovia. Mas não pode tirar conclusões discrentes, demonstrando que a empresa está canibalizada, o que não é verdade.”
A assessoria garante que a rota noticiada pela entidade sindical é inviável. “Seria impossível abastecer Campo Grande em Inocência. Também não há desvio de cargas da Novoeste para a Ferronorte. As bitolas (distância entre os trilhos) são diferentes.”
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