09 de julho de 2026
Geral

Cresce demanda por bolsa da Fapesp

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

O diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), José Fernando Perez, esteve ontem em Bauru e afirmou que o número de pedidos de bolsas de financiamento à pesquisa que o órgão recebe anualmente é praticamente quatro vezes maior do que há dez anos, saltando de 3,5 mil para 13,5 mil. Com isso, menos de 50% da demanda é atendida.

Segundo Perez, essa é uma realidade que também atinge Bauru. “A cidade é um centro de excelência que apresenta uma demanda qualificada importante nas mais diversas áreas. O principal pólo é a Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (USP), mas há outros centros, como a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Universidade do Sagrado Coração (USC)”, diz.

Ele revela que o percentual de projetos aprovados pela Fapesp está abaixo do que ele gostaria. “Estamos atendendo um para cada quatro pedidos de bolsas de mestrado, 37% de doutorado e 45% de pós-doutorado. O índice de bolsas de iniciação científica concedidas também é de 45%, mas a diferença é que somente esse número tem a qualidade que exigimos”, afirma.

O diretor da Fapesp acredita que esse quadro poderia estar melhor se houvesse uma participação maior das agências federais de apoio à pesquisa. “O sistema cresceu e elas retraíram o investimento. Se tivéssemos o mesmo número de bolsas que elas ofereciam em 1995, pelo menos a demanda de excelência estaria sendo atendida”, opina.

Ele culpa também os governos de outros Estados. “São Paulo cumpre exemplarmente a sua obrigação. Há uma cultura implantada de respeito à pesquisa. Outros Estados têm leis similares e as ignoram, o que cria uma pressão sobre o governo federal para que eles recebam recursos, o que é errado. É preciso uma contrapartida. Em São Paulo, ela é de praticamente R$ 1,00 para cada R$ 1,00 investido”, declara.

Recursos

José Fernando Perez diz que a principal fonte de verbas da Fapesp são os impostos. “Recebemos 1% da receita tributária do Estado de São Paulo. Temos também os recursos do rendimento do nosso próprio patrimônio, que é expressivo, cerca de R$ 600 milhões. Eles são responsáveis por um quarto da nossa receita anual, que gira em torno de R$ 500 milhões”, revela.

Segundo ele, esse também é o valor que é repassado à pesquisa. “Cerca de 40% do nosso investimento vai para as bolsas de iniciação científica e pós-graduação. O resto é para o financiamento do material dos projetos, equipamentos e serviços de terceiros para executá-los”, diz.

Perez explica os critérios que a Fapesp leva em conta para aprovar um projeto. “É preciso mostrar que ele dará uma significativa contribuição para o avanço do conhecimento naquela área, além de uma metodologia que descreva adequadamente como se pretende atingir esse objetivo. Também é necessária uma equipe com qualificação documentada e um custo que seja comensurável com o que se pretende obter”, declara.

Ele conta também que a fundação tem investido em outros projetos. “Um deles é o programa Jovens Pesquisadores, que procura garantir apoio aos jovens que estão sendo produzidos pela nossa pós-graduação e que precisam ter uma oportunidade à altura do seu talento e da sua ambição. Ele tem 270 beneficiados”, afirma.