09 de julho de 2026
Auto Mercado

Fraudes encarecem seguros em 30%

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Não há estatísticas precisas, mas as seguradoras brasileiras calculam que anualmente as fraudes consumam de R$ 1,5 bilhão a R$ 2,5 bilhões do setor. Mas um fato é certo: quem paga o prejuízo decorrente desta sangria é você. Isso porque, para compensar os “rombos” causados pelas ações criminosas, as companhias repassam tais custos aos consumidores, resultando em apólices mais onerosas.

Graças aos fraudadores e às despesas geradas pelos mesmos às seguradoras com os processos de investigação, você é obrigado a pagar entre 25% e 30% - índices estimados de indenizações pagas indevidamente - mais caro para segurar seu automóvel. É o que ressalta Leilane Aparecida Figueiredo Strongen, da Delegacia Regional Bauru do Sindicato dos Corretores de São Paulo (Sincor).

Para ela, a situação é típica da chamada “lei de Gérson”, cujo princípio é o de levar vantagem em tudo. “O ato ilegal de uma pessoa torna-se prejudicial a milhares, muitas delas honestas e que acabam pagando pela irresponsabilidade alheia”, considera ela. “E quem é conivente com as fraudes também é tão culpado como os que as praticam”, defende a delegada.

Além disso, Leilane sustenta que os fraudadores colaboram para desaquecer o mercado e dificultar a vida de quem passa por problemas financeiros momentâneos. “Com seguros mais caros, maior é a probabilidade das contratações de seus benefícios diminuírem”, destaca.

“Também é por causa deles que uma pessoa endividada pode ter negada a possibilidade de segurar seu veículo, pois as companhias temem a aplicação de golpes. Isso prejudica aqueles que são honestos e eventualmente estejam enfrentando dificuldades orçamentárias”, frisa Leilane.

A delegada do Sincor informa que, apesar de não possuir números exatos, as fraudes mais freqüentes contra seguros veiculares praticadas em Bauru e região são as simulações de roubo - entre 35% a 40% das ocorrências - e de sinistros, com 25%, seguidas pela transferência de responsabilidade e de condução do automóvel em acidentes.

Em relação às duas últimas, a delegada enfatiza que suas incidências vêm caindo. “Isso porque o próprio segurado já não confia mais e nem as companhias são tão burras a ponto de não suspeitar de tais fatos”, frisa Leilane.

Por essa razão, afirma ela, as seguradoras estão apertando o cerco contra os fraudadores. “Há investigadores de alto nível que só não descobrem um ato ilegal contra um seguro de automóvel se este for extremamente bem montado, o que está cada vez mais difícil de ocorrer”, adverte.

Ela complementa que atualmente já há companhias que instalam até processos criminais contra os fraudadores. “Isso tem sido postura comum antes mesmo de uma possível indenização ser paga”, diz.

Leilane acredita que somente a conscientização de segurados e não-segurados aliada a uma melhor atuação dos corretores pode transformar a realidade do segmento no Brasil. “Os últimos devem acompanhar seus clientes passo a passo, defendê-los dentro das companhias e, se perceberem uma fraude, tornarem-se os primeiros a solicitar uma investigação”, considera.

A delegada conclui seu raciocínio defendendo punição aos maus profissionais e aos fraudadores. “Fabricantes de atos ilegais atuam no mercado há anos sem que ninguém faça nada, até mesmo corretores, que se forem coniventes, devem ser indiciados e ter o registro da profissão suspenso”, finaliza Leilane.

Mudanças

“A fraude de hoje é garantia de um preço elevado de seguro amanhã”, enfatiza o corretor Édson Aparecido de Almeida, da Prata Seguradora. “Isso porque não há como as companhias cobrirem os prejuízos causadas pelos atos criminosos, que acabam sendo repassados aos consumidores”, frisa.

Apesar disso, Édson sustenta que a incidência de fraudes já foi muito maior no País. Para o corretor, as mudanças no mercado segurador durante a última década colaboraram para diminuí-las. “Elas vêm caindo ano a ano, pois as seguradoras estão mais rigorosas na fiscalização e tanto os segurados quanto os corretores conscientizaram-se da importância de combater os golpes no setor”, conclui ele.

• Serviço

Crimes contra seguros podem ser denunciados através do telefone 0800 156315 (Disque Denúncia).

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Projeto antifraude

Outro exemplo que a vida dos fraudadores tem tudo para ficar ainda mais difícil é o projeto antifraude em desenvolvimento através da Federação Nacional das Empresas de Seguros Privados e Capitalização (Fenaseg). Ela está investindo R$ 6 milhões em um audacioso projeto para inibir a ação de fraudadores.

O sistema, que está em fase inicial de implantação, começou com a contratação de uma consultoria, no início do ano. Esta é responsável por traçar um panorama da fraude contra o seguro no Brasil e definir as ações que o mercado deve tomar para combater os fraudadores.

Um dos principais objetivos é combater organizações especializadas em fraudar o sistema. Ao todo, o projeto prevê a realização de 33 ações coordenadas de forma a detectar e combater o crime organizado que atua contra o mercado de seguros.