10 de julho de 2026
Geral

Instituições usam Fies para atrair alunos

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 4 min

A possibilidade de atrair novos alunos e combater a inadimplência fez com que as cinco instituições privadas de ensino superior de Bauru se cadastrassem na Caixa Econômica Federal (CEF) para ter acesso ao Programa de Financiamento Estudantil (Fies). Os estudantes interessados em receber o benefício têm até a próxima sexta-feira para se inscrever pela Internet.

As instituições que estão participando do programa são as Faculdades Integradas de Bauru (FIB), Universidade do Sagrado Coração (USC), Instituição Toledo de Ensino (ITE), Universidade Paulista (Unip) e Instituto de Ensino Superior de Bauru (Iesb-Preve). Juntas, elas atendem cerca de 17 mil estudantes.

O Fies foi criado em 1999 para substituir o Programa de Crédito Educativo (Creduc) da CEF e disponibilizará, este ano, 70 mil vagas, 30 mil a mais do que em 2002. Os alunos que forem contemplados poderão financiar um valor de 10% a 70% das mensalidades.

A diretora acadêmica da FIB, Chiara Ranieri, acredita que o Fies é uma forma de viabilizar ao aluno o pagamento de pelo menos uma parte da mensalidade. “Tem gente que jamais teria condições de fazer um curso superior se não tivesse a possibilidade de conseguir um financiamento”, diz.

Segundo ela, a FIB solicitou à CEF aproximadamente R$ 60 mil para o Fies. “Pretendemos atender cerca de 20 pessoas. Até o final do ano passado, tínhamos 44 alunos dentro do programa”, revela.

Chiara diz que recebe muitas consultas em época de vestibular sobre descontos nas mensalidades. “Está todo mundo em uma situação bastante delicada, procurando qualquer tipo de ajuda. O que a gente orienta é que sempre participamos do Fies, mas que existe uma seleção e o aluno pode ou não conseguir o financiamento”, declara.

O diretor da Instituição Toledo de Ensino (ITE), Márcio Toledo, também acredita que o Fies acaba atraindo novos alunos. “É uma ferramenta a mais para que o estudante possa ter uma facilidade para cursar. Se ele não tem recursos suficientes para fazer aquele investimento, consegue o financiamento para pagar após se formar”, opina.

Toledo revela que a ITE solicitou R$ 1,4 milhão ao Fies. “Mas não sabemos quanto eles vão realocar. Já é o terceiro ano em que fazemos a adesão. A nossa expectativa é atender cerca de 400 alunos. No ano passado, foram contemplados em torno de 245”, diz.

Retorno

A reitora da USC, Irmã Jacinta Turolo Garcia, lembra que a universidade ficou de fora do Fies em 2002, mas está de volta neste ano. “Nós fizemos uma interrupção porque já tínhamos um grande número de alunos e deixamos um tempo sem acrescentar novos. Temos 180 que ainda não concluíram o curso. Para atender novos estudantes, solicitamos mais R$ 300 mil”, declara.

Ela acredita que o Fies ameniza os problemas financeiros que a maioria dos estudantes atravessa. “Ele dá uma esperança para quem, às vezes, está passando uma situação provisória. Os alunos tentam de tudo. Nunca foi tão difícil quanto hoje”, diz.

A reitora afirma que a USC procura oferecer outros programas de auxílio para quem não consegue ser contemplado pelo Fies. “Temos 6 mil alunos e cerca de 1,8 mil com bolsa. São programas como o Véritas, que é parecido com o da Caixa Econômica Federal”, conta.

O diretor geral do Iesb-Preve, Said Yusuf, diz que a instituição pediu R$ 80 mil ao Fies e espera beneficiar 20 alunos. “Entramos no programa no ano passado, mas hoje temos somente uma aluna que manteve o contrato. Outros foram selecionados, mas não cumpriram os requisitos. Uma não tinha fiador, o outro não conseguiu a documentação em tempo hábil”, relembra. “A esperança dos estudantes é, ao concluir o curso superior, ter uma melhora no padrão de renda. Se hoje eles não têm condições de pagar o curso, pleteiam esse adiamento através do Fies”, opina.

Já a responsável pelo setor de tesouraria da Unip, Keila Lorenço, acredita que o Fies é uma ajuda importante para quem não tem condições de cursar uma universidade. “Como o percentual que cabe ao aluno pagar para a instituição não é alto, ele pode se programar melhor”, declara.

Keila diz que as 22 unidades da Unip no Estado solicitaram, juntas, R$ 4 milhões à CEF. O objetivo é ampliar o número de estudantes atendidos pelo programa, que atualmente é de 600. Segundo ela, ainda não é possível calcular quanto do valor que foi pedido será destinado a Bauru.

____________________

Leia mais sobre o Fies

• Financiamento ajuda no combate à inadimplência nas entidades de ensino