Além de atrair alunos, o Fies é uma arma importante para as instituições privadas de ensino superior de Bauru no combate à inadimplência. “Ele acaba sendo interessante, pois é um recurso que pode ser abatido no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). É um valor que você tem certeza que será recebido”, afirma o diretor da ITE, Márcio Toledo. Segundo ele, a taxa de inadimplência na instituição gira em torno de 14%.
“Em alguns casos, quando percebemos que o aluno tem o perfil para conseguir esse financiamento, o que a gente faz é antecipar o Fies. Ele entra como se tivesse o financiamento e, se não conseguir, tentamos um acordo para fazer o pagamento da diferença”, revela a diretora acadêmica da FIB, Chiara Ranieri.
Os estudantes que aceitam a proposta ficam fora da lista de inadimplentes, que hoje conta com 12% dos matriculados na instituição. “Se eles não tivessem essa oportunidade, com certeza estariam incluídos. Muitos entram sabendo que não têm condições de pagar a faculdade e ficam aguardando o resultado do Fies”, diz Chiara.
Ela acredita que o fato do aluno se candidatar ao Fies também demonstra que está interessado em pagar as mensalidades. “Ele tem, pelo menos, que passar pelo processo de seleção. Esse fator dá credibilidade para a gente dizer que ele está com problemas financeiros, buscando soluções, e se no final do ano continuar inadimplente, a há como fazer um acordo”, afirma.
Alternativas
Para lutar contra a falta de pagamento, pesadelo que atormenta todas as instituições, cada uma tem adotado uma maneira própria de lidar com a questão. “Mantemos o sistema de matrícula por disciplina, o chamado crédito. O aluno, não tendo condições de fazer os 20 créditos por semestre, pode trabalhar com 12, que é o mínimo”, revela o diretor geral do Iesb-Preve, Said Yusuf.
A USC criou até um setor de recuperação de dívidas para tentar baixar a inadimplência, estimada em mais de 20%. “Estamos fazendo um atendimento individualizado e, mesmo que demore mais, estamos vendo caso por caso. Pusemos mais pessoas para atender e os alunos estão renegociando, parcelando, vendo como podem pagar”, diz a reitora da universidade, Irmã Jacinta Turolo Garcia.
A responsável pelo setor de tesouraria da Unip, Keila Lorenço, afirma que a instituição opta por cobrar os alunos inadimplentes apenas na renovação do contrato. “Durante a vigência dele, não fazemos nenhuma exigência. Quando ocorre a renovação, a cada seis meses, a gente tenta negociar o pagamento da dívida”, declara. Segundo ela, o índice de inadimplência varia de 8% a 10%.
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