09 de julho de 2026
Política

Elas querem apimentar a política

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Lugar de mulher é na cozinha, mas com a porta sempre aberta para as oportunidades. Depois de conquistarem espaço no mundo privado, as mulheres - com todas as dificuldades que encontram pelo caminho - querem agora avançar na seara política, tradicionalmente dominada pelos homens. De maneira ainda tímida, elas enfrentam as mazelas dos bastidores políticos de olho nas eleições municipais do ano que vem.

Se depender de algumas lideranças femininas, todos os partidos vão ter preenchidas a cota de 30% reservada às mulheres. Na última eleição municipal, do total de 340 candidatos ao Poder Legislativo 70 eram do sexo feminino. Mas pelo sistema de cota, este número poderia ultrapassar a casa do 100.

Atrair a mulher para a participação no mundo político não é tarefa fácil. Segundo dados do último censo, mais de 30% da população feminina ativa no País é hoje chefe de família.

Tudo indica, porém, que há disposição de conciliar o lado profissional com o de dona de casa e ainda reservar tempo para a participação na vida pública.

“É preciso conscientizar as mulheres de que, além dos deveres, elas também têm direitos. A falta de tempo prejudica, mas é preciso arregaçar as mangas para avançar”, prega Hydée das Dores de Souza, coordenadora do Movimento das Mulheres do PMDB.

Ela tem um dado de peso - divulgado pelo Banco Mundial - que considera um forte aliado no poder de convencimento que utilizará para organizar o time feminino peemedebista com vistas a 2004.

“Pesquisa do Banco Mundial garante: em países pobres e ricos que têm mulheres no comando da administração, quase não existe corrupção”, comenta. Hydée acredita que a ala feminina dos partidos tem motivos de sobra para lançar o maior número possível de candidaturas à Câmara Municipal no ano que vem.

Para a peemedebista, o quadro de desgaste político vivenciado pelo Poder Legislativo nos últimos meses é um forte apelo à renovação dos representantes da Casa. “A população está cansada em relação a tudo que tem acontecido”, avalia.

Razão e coração

A sensibilidade está à flor da pele, o sexto sentido é mais apurado e o coração fala mais alto do que a razão. As qualidades, femininas, lógico, são aplicadas no dia-a-dia dos ambientes doméstico e profissional.

Na opinião da diretora de escola Marilene Silva Guerrero, esses ingredientes podem condimentar a política, o que, no seu ponto de vista, iria melhorar a qualidade de atuação dos representantes investidos em cargos públicos.

“O homem é a razão. A mulher, o coração. Chegou a hora de unir os dois”, prega Marilene, integrante do Movimento Feminino do PSDB.

A tucana acha que a mulher ainda não se atentou de maneira mais aprofundada para o fato de que a política influencia na questão social. Ela soma a isso o duro “fardo doméstico”, ainda de responsabilidade, pelo menos em sua maior parte, da mulher.

“Nós estamos sobrecarregadas por todos os lados. Mas ainda acredito numa grande mobilização das mulheres nas eleições municipais do ano que vem.”

Tapete vermelho

Se depender dos partidos políticos legalizados em Bauru, as mulheres que pretendem disputar uma vaga à Câmara Municipal nas eleições de 2004 serão recebidas com “tapete vermelho”.

Quem garante é Chiara Ranieri, filiada ao PFL. “Infelizmente, os partidos têm dificuldade em completar a cota reservada à mulher pela legislação eleitoral”, diz.

Na opinião dela, a situação é resultado da falta de interesse e também da dificuldade de assimilar os bastidores e articulações do mundo político.

Para Chiara, a cidade ainda é muito carente de lideranças femininas. Primeira suplente de vereador do PFL, ela disputou o Legislativo na última eleição municipal, na qual somou 1.065 votos.

“Não é fácil encarar uma campanha. Ainda vou avaliar se disputo a Câmara no ano que vem”, conta, frase que no meio político é atribuída como “sim”. Para quem se interessa, o aprendizado é rápido.

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