A conquista da primeira cadeira feminina na Câmara Municipal de Bauru ocorreu em 1992, com a eleição da comunista Majô Jandreice (PC do B). No passado, a presença da mulher no Poder Legislativo ocorreu de maneira esporádica, apenas para cumprir substituições de vereadores licenciados.
Na eleição de 1996, Majô ganhou a companhia de Catarina Carvalho (PFL). Em 2000, a comunista foi reeleita para cumprir seu terceiro mandato. Catarina não conseguiu a recondução, mas voltou à Câmara há quatro meses para ocupar o lugar de Osvaldo Paquito (PPS), cujo mandato foi cassado.
Majô vivenciou e ainda vivencia os percalços de uma eleição ao Poder Legislativo. “Quero ser otimista, mas estou apreensiva”, diz. Ela avalia que não basta ter vontade e apenas decidir, em cima da hora, que vai disputar uma eleição.
“É preciso ter participação político-partidária e, acima de tudo, nos movimentos populares. O enfrentamento eleitoral ocorre através da viabilização de condições”, avisa.
A vereadora acredita que há clima para manter na Câmara pelo menos o atual número de cadeiras ocupadas por mulheres. “Mas eu sinto que não existe, por parte da maioria dos partidos, o interesse de preencher a cota.”
Mas os obstáculos naturais de uma candidatura feminina podem ser enfrentados pela “fibra”. É o que pensa Catarina Carvalho. “A mulher não tem medo de nada. O que pesa na sua relação com o mundo político são seus compromissos”, afirma.
A pefelista avisa que para atender a demanda na política é preciso renunciar a vida pessoal. “Mas mesmo assim, vale a pena dar sua contribuição à vida pública.”
A parlamentar não esconde que teve de enfrentar preconceitos no seu primeiro mandato de vereadora (1997/2000). “Tive que ouvir discursos discriminatórios. Sempre foi mais fácil bater na fala de uma mulher vereadora”, comenta.
____________________
Leia mais sobre mulheres na política
• Falta discurso, diz Kerbauy