08 de julho de 2026
Regional

Costumes da roça sobrevivem ao tempo

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Conhecer os pequenos municípios da região é passear numa grande fazenda e conviver com uma enorme família. Para essa população, privacidade é termo fora do dicionário enquanto que solidariedade é palavra de ordem. O ar puro, as caminhadas, os passeios de bicicleta e a cavalo incentivados pela falta de transporte coletivo garantem uma qualidade de vida invejável.

A alimentação dessa população é um item à parte que merece destaque. Tomam café da manhã com leite puro, café moído na hora e pão caseiro. As verduras são cultivadas no quintal sem nenhum agrotóxico e a criação de galinha e porco é uma atividade muito comum para consumo da própria família.

Quem gosta de manter “segredinhos” vai ter que abdicar deles em nome da qualidade de vida. É que em cidades com menos de 6 mil habitantes, onde todos os moradores se conhecem, é difícil não saber o que se passa na vida do outro.

É só perguntar por uma pessoa que o cidadão já aponta a casa e fornece inclusive informações do tipo: é a viúva do fulano de tal. Ou é o filho de beltrano, que é neto de sicrano.

Pessoas simples, mas de coração aberto, os moradores dessas cidades recebem o visitante de forma hospitaleira. A chegada de um carro e de uma pessoa diferente despertam a curiosidade. A notícia se espalha pela cidade e em pouco tempo todos os moradores sabem quem chegou e para que veio. A atitude, que pode até cheirar a fofoca, é na verdade uma forma de segurança. Nenhum estranho passa pela cidade sem ser notado.

A rotina das donas de casa dos pequenos municípios é completamente diferente daquilo que a população das metrópoles está acostumada. Acordam e dormem muito cedo. Não enfrentam os congestionamentos no trânsito pela manhã, porque não têm que levar os filhos para a escola. Não correm para a padaria para preparar a refeição matinal, porque consomem pão caseiro feito uma vez por semana.