Para muitas pessoas, nada como chegar em casa depois de um dia intenso de trabalho ou de uma longa viagem. O lar costuma ser o refúgio, o local para repor as energias e desfrutar conforto e liberdade.
Mas, qual o conceito de viver bem? Para o arquiteto Edward Albiero, não basta ter uma casa linda e repleta de acessórios de comodidade. “Todo o conjunto contribui para o bem-estar. É preciso que a cidade ofereça condições de se morar bem”, ressalta.
De acordo com ele, por medo da violência e buscando conforto, as pessoas estão cada vez mais investindo no individual, em detrimento do comunitário. “As residências são como fortalezas”, destaca.
Quem tem condições financeiras, procura colocar dentro de casa tudo aquilo que julga necessário para ter lazer, segurança e conforto.
Prova disso é o fascínio pelos home theaters, equipamentos de áudio e vídeo que reproduzem as condições oferecidas pelo cinema. Piscina, quadra de tênis, campo de futebol, sauna, playground, todos esses recursos estão sendo implantados nas residências de alto padrão, de modo que as pessoas não precisem mais buscar na cidade os requisitos fundamentais para o seu bem-estar.
Os condomínios mostram exatamente a dimensão dessa tendência. Fechados com os melhores equipamentos de segurança do mercado, eles são um oásis no meio da cidade. Oferecem tudo o que o cidadão precisa para ter uma vida tranqüila, sem precisar sair de casa.
Na opinião de Albiero, isso acaba neutralizando a função das áreas sociais do município. “As pessoas deixam de ir a clubes, praças, cinemas e vivem enclausuradas em suas residências”, ressalta.
Para ele, viver bem vai além do muro das casas. “Se a cidade não oferece boas condições, mesmo que a pessoa tenha uma casa maravilhosa, ela ainda vai se sentir falta de uma série de outras coisas”, destaca.
O exemplo citado por ele: por mais que os moradores tenham um lar completo, que satisfaça os seus desejos de conforto e bem-estar, uma hora ou outra ele terá de sair dessa fortaleza para cumprir seus compromissos, como escola, trabalho, compras, etc.
Conceito pessoal
A reportagem do JC nos Bairros buscou nos moradores de Bauru qual o ideal de morar bem. Cada um tem a sua definição pessoal, mas a segurança é um dos itens mais citados pelas pessoas.
Há quem more no Centro da cidade, mas que adoraria estar em um bairro mais afastado, gozando do sossego e do clima amistoso entre a vizinhança.
Outros, que vivem em vilas mais calmas, gostariam de se mudar para a região central, onde tivessem tudo à mão - fácil acesso, transporte rápido e comércio próximo.
Tem gente que mora em apartamento, mas está de olho em uma casa térrea, com espaço para o lazer. Por outro lado, tem muito morador de residência que, preocupado com a segurança da família e visando a praticidade, pretende se mudar para um edifício.
Outro grupo ouvido foi o dos estudantes. A cidade, conhecida como centro universitário, recebe anualmente milhares de jovens de outras localidades, que trocam as suas casas por repúblicas e apartamentos em Bauru.
Entre esse pessoal, alguns dão preferência para apartamentos pequenos e seguros. Outros, mais animados, preferem o espaço e a comodidade de casas grandes e bem localizadas, onde possam viver em república.
Qualquer que seja a preferência, a situação da cidade tem influência direta. O medo da violência seria amenizado caso o município não registrasse tantos furtos a residências mensalmente. A distância também poderia não ser problema, se o sistema de transporte atendesse às necessidades da maioria da população.