08 de julho de 2026
Bairros

Centro e bairro disputam moradores

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Morar no Centro da cidade é sinal de praticidade e acessibilidade. Em compensação, o barulho e o grande movimento de gente incomodam. Já nos bairros mais afastados, a vantagem é o sossego, mas, em contra-partida, o transporte e a distância são dois obstáculos que atrapalham bastante.

A jornalista Mila Fabris conhece bem os dois lados da moeda. Ela morou por muito tempo na região central da cidade e hoje escolheu um lugar mais afastado para viver. “Eu tinha filhos pequenos e eles não dispunham de segurança nem lugar adequado para brincar”, conta.

Esse fator foi um dos que impulsionou ela e o marido a comprar um terreno em um condomínio distante cerca de cinco quilômetros do Centro de Bauru.

Outro determinante foi o desejo de Mila de lidar com a natureza. Ela sempre gostou de plantas, mas não tinha muito espaço para o verde na residência da região central.

Ao mudar para a nova casa, a jornalista pôs mãos à obra e montou um canteiro repleto de especiarias, no qual cultiva temperos e verduras. “Mexer na terra é uma válvula de escape para o estresse do dia-a-dia”, destaca.

Ela acredita que, dessa forma, conseguiu ter qualidade de vida. “Eu me sinto muito bem na minha casa”, ressalta.

Ao mesmo tempo que proporciona conforto, a distância do Centro da cidade também oferece alguns contratempos. Mila salienta que o acesso a supermercado, clube, escola, é mais complicado e requer maior disponibilidade da família. “Temos que levar e buscar os meninos, fica mais longe ir ao trabalho, mas, mesmo assim, compensa viver aqui”, diz, referindo-se ao condomínio.

Excesso de movimento

A escriturária Claudia Azevedo tem 26 anos e, desde sempre, morou no Centro de Bauru. A família vive em uma residência bem no coração da área comercial da cidade há muitas gerações e já está habituada ao local. Menos Claudia. Ela sonha com o dia em que se mudará para um lugar tranqüilo e bem residencial, com possibilidade de ter mais contato com a vizinhança, ruas tranqüilas para caminhar e um visual menos cinza para observar da janela.

Apesar de ter acesso fácil a todos os pontos da cidade, Claudia diz que não tem sossego na sua própria casa. “É ruim, principalmente aos sábados, quando o comércio recebe um grande número de pessoas. Fica um trânsito louco, muita gente nas calçadas, barulho e poluição”, constata.

Ela conta que os vizinhos são pessoas muito tradicionais na localidade, que vivem há várias décadas naquelas casas e ruas. “A maioria é formada por gente que sempre morou nesse lugar e se habituou ao movimento da região central. Muitos têm até uma relação afetiva com as casas, que pertenceram aos antepassados”, destaca.

Para ela, qualidade de vida é sinônimo de distância do agito comercial do lugar onde mora.

Transporte insuficiente

Ao contrário de Claudia, a auxiliar de serviços gerais Rosângela Pandolfi Bueno tem como objetivo trocar o bairro onde mora pela região central da cidade.

Ela e a família residem no Parque Colina Verde há 22 anos, mas não estão satisfeitos com o local. “Sinto falta de opções de compra, pois não há um bom comércio perto”, destaca.

Outra dificuldade é com relação ao transporte coletivo. Ela conta que as linhas de ônibus que servem o bairro são escassas e só levam a dois bairros da cidade. “Minhas filhas enfrentam muitos problemas para ir para a faculdade ou para o emprego”, diz.

Ela usa o automóvel para chegar ao seu local de trabalho, mas reclama dos gastos com combustível. “Acaba ficando caro, mas não tenho outra opção, já que entro muito cedo e não há ônibus circulando nessa hora”, conta.

A família de Rosângela já pensou em se mudar do local várias vezes. O problema é que a casa oferece o conforto de que a família gosta, o que seria difícil encontrar numa região mais central. “Eu tenho vontade de colocar a minha casa em um caminhão e levá-la para outro local, mais perto do Centro”, salienta.